Portugal vai continuar enregelado nos próximos dias

Com o país sob aviso amarelo por causa do frio intenso, a Direcção-Geral da Saúde, que antecipa repercussões sobre a mortalidade, aconselha condução defensiva e uso de luvas, gorros e cachecol, além da ingestão de sopa e bebidas quentes.

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Em Estremoz, no distrito de Évora, não nevava há 12 anos LUSA/NUNO VEIGA

Os portugueses vão continuar a tiritar de frio nos próximos dias, segundo as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que vai continuar a manter Portugal continental e parte da Madeira em aviso amarelo até terça-feira, devido à “persistência de valores baixos de temperatura mínima”.

Ainda assim, e descontadas pontuais quebras no fornecimento de energia e as previsíveis repercussões sobre a mortalidade, não há incidentes a registar no país por causa do frio. A única excepção foi o corte de três estradas no concelho de Castanheira de Pêra, no acesso ao maciço da serra da Lousã, que estiveram nos últimos dois dias intransitáveis por causa do gelo e da acumulação de neve.

Com as temperaturas mínimas no território continental a oscilarem entre os -6 e os 6ºC durante segunda e terça-feira, e as máximas a não subirem além dos 10ºC, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) continua a desaconselhar a prática de actividades no exterior, a adopção de uma condução defensiva, dado o risco de haver acumulação de gelo nas estradas, e a protecção das extremidades do corpo com luvas, gorro e cachecol, além de calçado e meias quentes.

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O uso de várias camadas de roupa continua a ser aconselhado, bem como a ingestão de sopas e bebidas quentes. A DGS chama ainda a atenção para a necessária ventilação das habitações, sobretudo quando se recorra a braseiras ou lareiras, por causa da acumulação de monóxido de carbono que pode levar à morte. Aquele organismo admite que, “à semelhança do que verificou em outros anos, é provável que as baixas temperaturas tenham repercussões sobre a mortalidade nos próximos dias, nomeadamente nas pessoas com 65 e mais anos”. Logo, “as medidas recomendadas adquirem particular relevo neste grupo etário”.

O acentuado arrefecimento nocturno, aliado à formação de gelo ou geada e à intensificação do vento frio, vai fazer aumentar o desconforto térmico, apesar de se prever uma ligeira subida das temperaturas a partir de quinta-feira. O IPMA diz que o frio generalizado que atravessa o país desde o dia 24 de Dezembro está a atingir valores inferiores aos da “normal climatológica” entre 1971 e 2000. Nas duas últimas semanas, de resto, apenas no dia 28 de Dezembro “o valor da temperatura mínima foi próximo do normal”. Até ao dia 8 de Janeiro, porém, apenas as estações meteorológicas da Covilhã e de Chaves evidenciaram valores extremos de temperatura mínima dos últimos 30 anos.

Este tempo frio, que inicialmente teve origem no transporte de uma massa de ar frio polar “associado a um fluxo predominante de Norte sobre o território continental”, e que fez nevar nas cidades alentejanas de Évora e Portalegre (algo que não ocorria desde 2006), vai prolongar-se sem grandes alterações até ao dia 13 de Janeiro, devendo as “anomalias negativas”, isto é, as temperaturas mínimas estacionadas entre os -6º e os -1ºC, prolongar-se pelo menos até 17, dia em que a ocorrência de alguma chuva promete começar a amenizar ligeiramente as temperaturas.