Covid-19 matou quase tantas pessoas esta semana como em todo o Verão

Desde segunda-feira já morreram 394 pessoas em Portugal com a doença, de 20 de Junho a 22 de Setembro faleceram 398. Número de óbitos tem acelerado, mas o país não está sozinho na Europa.

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Há quatro dias consecutivos que se registam no país 90 ou mais óbitos devido à covid-19 Rui Oliveira

O boletim desta sexta-feira da Direcção-Geral da Saúde (DGS) dá conta de 118 mortes por covid-19, um recorde desde o início da pandemia e a primeira vez que o país ultrapassa a centena de mortes provocadas pelo SARS-CoV-2 no espaço de 24 horas. Os óbitos aumentaram nos últimos dias e o número de vítimas mortais desta semana está próximo do total do Verão: desde segunda-feira a covid-19 já matou em Portugal 394 pessoas, apenas menos quatro que todas as mortes entre 20 de Junho e 22 de Setembro (398).

Há quatro dias consecutivos que se registam no país 90 ou mais óbitos devido à covid-19, sempre de forma crescente até ao máximo diário alcançado esta sexta-feira. Excluindo esta semana, desde o início da pandemia só houve quatro outros dias com níveis de mortalidade desta dimensão: 16 de Novembro (91 mortes) e os dias 10, 13 e 14 de Dezembro (95, 98 e 90 mortes, respectivamente).

Das 7590 mortes registadas até esta sexta-feira em Portugal, cerca de 88% são de doentes com 70 ou mais anos (6669 mortes). A taxa de letalidade sobe nestas faixas etárias: a taxa global é de cerca de 1,6%, mas aumenta para 9,9% quando se trata de doentes com mais de 70 anos (6669 mortes em 67.497 casos) e sobe ainda outro degrau, para os 13,6%, se só considerarmos infectados com 80 ou mais anos (5118 mortes em 37.665 casos).

Acima da média europeia

Portugal estava acima da média europeia em termos da incidência de mortes antes ainda deste agravamento verificado em 2021. De acordo com a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, Portugal registava até esta quinta-feira uma média a sete dias de mortes diárias por um milhão de habitantes de 7,93 – um valor que o PÚBLICO calcula que suba a 8,66 com as 118 mortes reportadas esta sexta-feira.

A incidência de mortes europeia fixava-se na quinta-feira em 6,04 mortes diárias por um milhão de habitantes e está constante desde o início do mês, ao contrário de Portugal, que entrou em 2021 com uma taxa de incidência média de 6,92 mortes diárias.

Dos seis países que o PÚBLICO escolheu acompanhar depois do Natal e do Ano Novo, Portugal fica atrás do Reino Unido e da Alemanha, os outros dois países deste lote que viram as mortes (e os casos) crescer depois das festas. Os britânicos, que já viviam um agravamento da situação epidemiológica ainda antes do Natal,  destacam-se com uma incidência de 10,54 mortes diárias por um milhão de habitantes; a Alemanha está num meio-termo entre Reino Unido e Portugal, com 8,86.

Isto traduz-se, em termos absolutos, em mais de mil mortes diárias em ambos os países: na quinta-feira a Alemanha somou 1070 vítimas mortais e o Reino Unido contou 1162.

Por outro lado, Bélgica e França têm notado uma ligeira diminuição dos óbitos, acompanhando também uma redução dos contágios. Ambos estão abaixo da média europeia: os belgas até começaram o ano um pouco acima (6,06 face à incidência média europeia de 6,03), mas registam agora 5,03 mortes por um milhão de habitantes. França ainda surge mais abaixo, com uma incidência de 4,25. O número dos franceses é, no entanto, superior ao da mortalidade na vizinha Espanha, que regista desde meados de Dezembro uma incidência abaixo de 4 e que se fixava, esta quinta-feira, em 2,56.