Há novas imagens das obras de Francis Bacon roubadas em Madrid

O detective da arte Arthur Brand publicou no Twitter uma mensagem com fotografias e um vídeo mostrando duas das cinco obras do pintor irlandês que foram alvo de um assalto na capital espanhola em 2015.

Foto
Este duplo retrato é uma das obras roubadas identificadas pela Polícia espanhola DR

A história do roubo, em Junho de 2015, em Madrid, de cinco obras de Francis Bacon (1909-1992) que se encontravam no apartamento de um amigo do pintor irlandês teve agora mais um desenvolvimento: na tarde de quinta-feira, o holandês Arthur Brand, considerado “o Indiana Jones da arte”, publicou na sua conta de Twitter uma mensagem com fotografias e um vídeo aparentemente relacionados com as duas pinturas que não foram ainda recuperadas pela polícia espanhola desse que foi já considerado “o maior roubo de arte contemporânea” no país.

Na mensagem, o detective dos Países Baixos diz que as fotografias e o vídeo que mostra são recentes, e pergunta se “alguém consegue reconhecer o apartamento” que aparece no filme. Em pouco mais de um minuto, vêem-se, sobre uma cama, uma das telas de Bacon e duas molduras esvaziadas, numa das quais se identifica a assinatura do pintor; há ainda um papel assinado à mão “Jason” e uma referência a uma cafetaria Starbucks em Madrid, com a data de 11 de Maio de 2020.

O jornal espanhol ABC acrescenta que Arthur Brand identifica as fotografias como sendo dos dois “Bacon desaparecidos” – as outras três pinturas foram já recuperadas pela polícia em Julho de 2017, no âmbito de uma investigação que ainda prossegue –, e que os autores do roubo estarão a tentar vendê-los por quatro milhões de euros, havendo “compradores interessados”.

O diário espanhol noticia ainda que a Brigada do Património da Polícia de Madrid teve já conhecimento da existência destas imagens e está a investigar a sua autenticidade e a tentar localizar as obras.

Será pouco provável que uma possível transacção das duas pinturas passe desapercebida nos circuitos do mercado da arte, já que Francis Bacon é actualmente um dos nomes mais bem cotados no meio – em 2013, o seu tríptico Três Estudos de Lucian Freud bateu um recorde ao ser leiloado na Christie’s por 106 milhões de euros.

Na altura em que o assalto foi noticiado, as cinco obras do pintor valiam entre 25 e 30 milhões de euros.

Na notícia que avança agora sobre mais este desenvolvimento do caso, o ABC identifica pela primeira vez o proprietário das obras e vítima do assalto: José Capelo, um amigo íntimo de Bacon, a quem este tinha oferecido as pinturas. Estas foram-lhe roubadas do seu apartamento no centro de Madrid, num condomínio privado na Praça da Encarnação, não muito distante do Palácio Real, mas que não tinha sistema de vigilância. Além das pinturas, foram-lhe também levados um cofre-forte com várias colecções de moedas, jóias e outros objectos de valor, que Capelo disse então à polícia, em Julho de 2015, valerem perto de meio milhão de euros.

Na investigação que levou a efeito, a Polícia de Madrid, sempre convencida de que as pinturas não teriam saído de Espanha, deteve dez indivíduos suspeitos de envolvimento no assalto – que viriam depois a ser libertados por um tribunal madrileno, com proibição de saída do país e obrigatoriedade de apresentações periódicas na esquadra. E foi mesmo com a colaboração de um desses detidos que os investigadores anunciaram, em Julho de 2017, a recuperação de três das obras, com a ajuda de uma equipa de Londres especializada em arte desaparecida.

Resta agora saber se as novas revelações de Arthur Brand irão ajudar à recuperação das pinturas em falta e à conclusão do caso.