Zuckerberg diz que Trump está banido do Facebook por “tempo indeterminado”

Declarações do Presidente dos EUA sobre a invasão do Capitólio e o resultado das eleições presidenciais levam redes sociais a actuar. Zuckerberg diz que Trump não volta ao Facebook até Biden tomar posse

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Donald Trump, Presidente dos EUA ERIN SCOTT/Reuters

O Twitter e o Facebook (dono do Instagram, WhatsApp e Messenger) bloquearam a conta de Donald Trump esta quarta-feira depois de os seus apoiantes invadirem o Capitólio, incentivados pelo ainda Presidente. Mark Zuckerberg, dono do Facebook, diz que Trump está banido por “tempo indeterminado” das plataformas da sua empresa —​ pelo menos até Joe Biden tomar posse. O Twitter diz que a suspensão pode ser permanente. 

Esta quarta-feira, o Facebook foi das primeiras redes sociais a retirar um vídeo de Trump em que este elogiava os apoiantes que invadiram o Capitólio, ao mesmo tempo que lhes pedia para voltarem para casa, repetindo as acusações de fraude e falta de integridade das eleições presidenciais de 3 de Novembro. O Twitter e YouTube (da Google) seguiram o exemplo.

Vídeo: Entre as palavras de Trump e as de Biden, uma invasão ao Capitólio

“Os riscos de permitir que o Presidente continue a usar os nossos serviços durante este período são demasiado grandes”, justificou Mark Zuckerberg numa publicação no Facebook esta quinta-feira. “Por isso, vamos estender o bloqueio que pusemos nas contas [de Trump] no Facebook e Instagram por um período indeterminado.” Zuckerberg acrescenta que o controlo das contas não será devolvido ao Presidente nas próximas duas semanas para garantir que a “transição de poder pacífica” ocorre. 

Até então, Zuckerberg sempre defendeu que não queria apagar conteúdo com um “alto valor noticioso”. “Frequentemente, o discurso de político é do interesse público e, tal como órgãos noticiosos informam sobre o que os políticos dizem, nós acreditamos que as pessoas devem poder ver [esse discurso] por elas próprias na nossa plataforma”, escreveu Zuckerberg em Junho de 2020. Agora, porém, o fundador do Facebook acredita que Donald Trump foi longe demais. “O contexto actual é fundamentalmente diferente, e envolve a utilização da nossa plataforma para apelar à insurreição violenta contra um governo democraticamente eleito”, justifica Zuckerberg. 

Antes de ser bloqueado, o vídeo foi partilhado durante mais de duas horas depois de os apoiantes de Trump terem invadido o Capitólio em Washington, quando os congressistas estavam reunidos para confirmar os resultados do Colégio Eleitoral e a vitória do Presidente eleito, Joe Biden.

No vídeo, Trump começa por dizer: “Conhecemos a vossa dor. Eu conheço a vossa ferida. Mas têm de ir para casa.” Classificou também os seus apoiantes como “muito especiais”.

Apoiantes de Trump conseguiram aceder ao interior do Capitólio EPA/JIM LO SCALZO
Photo by Win McNamee/Getty Images
Photo by Drew Angerer/Getty Images,Photo by Drew Angerer/Getty Images
Photo by Win McNamee/Getty Images
Segurança tenta impedir que manifestantes entrem na sala com senadores, Drew Angerer/Getty
Manifestantes conseguiram ultrapassar a polícia e invadir Capitólio Reuters/MIKE THEILER
Apoiante de Trump conseguiu invadir escritório de Nancy Pelosi EPA/JIM LO SCALZO
Gás lacrimogéneo foi lançado durante a invasão ao Capitólio EPA/JIM LO SCALZO
Um dos apoiantes do Presidente carrega a bandeira da Confederação Reuters/MIKE THEILER
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Milhares de pessoas marcharam até ao Capitólio Reuters/LEAH MILLIS
Manifestantes forçaram entrada no edifício Reuters/STEPHANIE KEITH
Reuters/STEPHANIE KEITH
David Trone usa uma máscara anti-gás dentro do Capitólio Reuters/TWITTER/@REPDAVID TRONE
Polícia evacua jornalistas e outro staff Reuters/JONATHAN ERNST
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Imagem da evacuação dos jornalistas Reuters/JONATHAN ERNST
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Homem foi detido enquanto invadia Capitólio REUTERS/Jonathan Ernst
Kevin Dietsch/Pool via REUTERS
Polícia acorre ao local para tentar controlar situação EPA/MICHAEL REYNOLDS
Polícia tenta impedir que manifestante derrube barreira junto ao edifício Reuters/JIM URQUHART
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Apoiantes de Trump reunidos em Washington D.C EPA/JIM LO SCALZO
Photo by Drew Angerer/Getty Images
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Multidão invadiu símbolo da democracia norte-americana. Sem máscara, armados e incentivados por Donald Trump, os manifestantes furaram barreira policial e pedem recontagem dos votos. Quatro pessoas morreram.

Miguel Dantas

A sessão de ratificação dos votos foi interrompida devido aos distúrbios provocados pelos manifestantes pró-Trump e as autoridades de Washington D.C. decretaram o recolher obrigatório entre as 18h e as 6h locais (entre as 23h e as 11h em Lisboa).

A polícia usou armas de fogo para proteger congressistas e pelo menos quatro pessoas morreram. Um dos mortos é uma mulher, que foi baleada dentro do Capitólio. A polícia está a investigar o incidente, mas não adiantou informação sobre as circunstâncias do disparo.

O Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que os violentos protestos ocorridos no Capitólio foram “um ataque sem precedentes à democracia” do país e instou Donald Trump a pôr fim à violência.

Pouco depois, Trump pediu aos seus apoiantes e manifestantes que invadiram o Capitólio para irem “para casa pacificamente”, mas repetindo a mensagem de que as eleições presidenciais foram fraudulentas.

O Governo português condenou os incidentes, à semelhança da Comissão Europeia, do secretário-geral da NATO e dos governos de vários outros países.

Actualizado às 16h de 7 de Janeiro: Acrescentado comunicado de Mark Zuckerberg.