Vacinação nos lares arranca nos 25 concelhos com risco extremo de covid-19

Já estão identificadas as primeiras 150 estruturas onde a vacinação vai começar. Próximas doses da vacina chegam na próxima semana.

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Marta Temido Paulo Pimenta

Começa na próxima semana a vacinação contra a covid-19 de idosos e profissionais dos lares e unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, anunciou nesta terça-feira a ministra da Saúde em conferência de imprensa. Este novo passo na imunização arranca nos 25 concelhos do país que estão com risco extremo de covid-19 e já estão identificadas as primeiras 150 estruturas onde a vacinação vai começar.

“Está prevista a entrega de vacinas da Pfizer na semana que começa a 4 Janeiro. Nesse momento, iremos prosseguir a vacinação dos profissionais de saúde, mas também iremos avançar na vacinação em estruturas residenciais para idosos. O critério de início desta vacinação é relacionado com os concelhos onde há maior incidência de covid-19”, explicou a ministra, referindo que são 25 os concelhos que estão na categoria de risco extremo (ou seja, que apresentam uma taxa de incidência de mais de 980 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias).

“São cerca de 150 estruturas residenciais para idosos e da rede de cuidados continuados onde se iniciará a vacinação”, adiantou Marta Temido, especificando que 11 estão em concelhos da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, cinco na ARS Centro, um em Lisboa e Vale do Tejo e oito na ARS do Alentejo.

De acordo com o balanço feito pela Direcção-Geral da Saúde na última segunda-feira, Vimioso (Bragança) é o município do país com a incidência mais alta. Seguem-se Castelo de Vide e Marvão, ambos do distrito de Portalegre, e Mourão, em Évora.

Mais de 16 mil vacinados

As primeiras doses de vacinas chegaram a Portugal a 26 de Dezembro e logo no dia seguinte o processo de vacinação teve início nos cinco centros hospitalares mais importantes do país. Já no dia 28 mais 70.200 doses reforçaram a oferta inicial e permitiu que esta terça-feira o processo fosse estendido a mais hospitais e centros de saúde.

Em jeito de balanço do que foi feito até às 18h desta terça-feira, Marta Temido adiantou que “foi registada a administração de 16.701 vacinas a profissionais de saúde”. A ministra revelou também que até ao momento “não foram detectadas quaisquer reacções graves à vacina”. “De qualquer forma, recordo que toda a actuação perante essas circunstâncias está protocolada”, acrescentou, admitindo que quando a vacinação for alargada à população geral possa haver indicação para que haja contacto com a Linha SNS24 ou com a unidade onde a vacina foi dada.

A ministra foi ainda questionada sobre um grupo de profissionais do Hospital de Viseu que disse não ter intenção de vacinar. Marta Temido desvalorizou a questão, referindo que “é preciso perceber porque 140 profissionais optaram por não se vacinar neste momento”. “As referências que temos recolhido é que há pessoas que optam por não se vacinarem neste momento por razões várias: por estarem em fases de vida em que estão, por exemplo, a iniciar um processo de gravidez; ou, por circunstâncias pessoais, entenderem que este não é o melhor momento. Isso é algo que precisa de ser melhor esclarecido”, disse.

A ministra da Saúde salientou que “a vacinação é voluntária”. “Esse é um dos princípios que desde sempre assumimos e se as pessoas entendem que precisam de mais informação ou de outro tempo naturalmente que aguardaremos por elas e por esse processo caso seja feito num momento posterior”, concluiu.

Já sobre o incidente que envolveu a PSP e a GNR na escolta de vacinas para o Algarve e que levou o Ministério da Administração Interna a abrir um procedimento para averiguar o que aconteceu, Marta Temido afirmou que “os incidentes ultrapassam-se e ajudam a clarificar processos”. “Procuraremos sempre melhorar processos”, disse, acrescentando que o Ministério da Saúde realizará esta quarta-feira uma reunião informal com os cinco centros hospitalares onde a vacinação se iniciou “para perceber o que correu melhor e o que correu menos bem, para se melhorar”.