Apelo à vacinação, pela nossa saúde

É agora, de novo, tempo dos cidadãos. Tempo de apelo à cidadania para adesão à vacinação em larga escala, com confiança na sua segurança e eficácia e com esperança que a imunização coletiva será o princípio do fim desta crise pandémica.

No início deste ano começámos a receber preocupantes relatos sobre o aparecimento de um novo vírus, com forte capacidade de contágio e de efeitos nefastos sobre a saúde humana. Desde 2 de março, muitos dos nossos concidadãos são infetados, parte expressiva desenvolve doença que exige hospitalização e cuidados intensivos e muitos destes doentes não resistem, vindo a falecer, o que é o nosso maior revés.

Não merecíamos esta pandemia. Pela perda de ânimo coletivo, que estava em recuperação após as dificuldades subsequentes à crise económica de 2008. Pelo preço que estamos a pagar, reduzindo atividades, aumentando desemprego, diminuindo rendimentos, retraindo o presente de muitos e adiando o futuro de todos. Pela perturbação nos esforços que o país estava a fazer no robustecimento do SNS, para melhor prestação de cuidados, com dotação de mais meios e recursos, desde logo orçamentais, e que, em boa parte, tiveram de ser canalizados com reforço para esta emergência sanitária. Pelos efeitos potencialmente mais graves e irreversíveis que lança sobre os cidadãos mais vulneráveis. Numa palavra, não merecíamos esta pandemia porque, depois do esforço feito a subir a montanha, a regressão forçada sabe a injusto castigo.

Mas não nos resignámos. Aguentámos o embate e resistimos como comunidade avisada e responsável às diferentes fases de evolução da pandemia. Os cidadãos compreenderam a excecionalidade da situação e fizeram a sua parte, adotando, em geral, com bom senso e prudência os comportamentos que foram sendo recomendados pelas autoridades de saúde para conter o contágio. O SNS, enquanto última fronteira da resposta à pandemia, mobilizou-se e adaptou-se na sua organização e funcionamento e, ancorado na competência e empenho dos seus profissionais, respondeu. Enquanto cidadãos e como País, devemos valorizar o nosso comportamento coletivo e o desempenho das nossas instituições, sem os quais teríamos agora, decerto, mais montanha para recuperar.

Numa experiência notável, sem paralelo no passado, uniram-se com sentido de urgência pessoas, instituições e autoridades num esforço sem fronteiras, entre as quais a União Europeia (UE), conjugando ciência, investimento e solidariedade no alcance de vacinas eficazes e seguras de utilização universal. Depois de promissoras notícias, tivemos, nas últimas semanas, o anúncio de várias vacinas com elevada eficácia imunizante e segurança, a que se seguiu a aprovação por diferentes entidades reguladoras, como é o caso da Agência Europeia de Medicamentos, ao dar, em 21 de dezembro, “luz verde” à primeira vacina a utilizar no espaço da UE.

É um acontecimento decisivo. Porque é enorme a vantagem da utilização de vacinas neste combate, dada a sua declarada segurança e eficácia a proporcionar imunidade na esmagadora maioria das pessoas vacinadas. A abordagem vacinal tem ainda a superior vantagem de possibilitar a interrupção das cadeias de transmissão do vírus, pela imunidade de grupo que garante, contribuindo para a mitigação dos casos de infeção e de doença grave. Dispor de vacina é passar a ter no horizonte próximo as condições para começarmos de novo a subir a montanha, com esperança no nosso futuro.

Tal como outros países da UE, Portugal iniciou em 27 de dezembro o processo de vacinação, que terá várias fases escalonadas no tempo. É agora, de novo, tempo dos cidadãos. Tempo de apelo à cidadania para adesão à vacinação em larga escala, com confiança na sua segurança e eficácia e com esperança que a imunização coletiva será o princípio do fim desta crise pandémica. Também, tempo de esclarecer dúvidas, ultrapassar receios e contrariar preconceitos. Sobretudo, tempo de promover compromisso entre gerações e de realizar solidariedade entre todos. E, ainda, tempo de encorajar comportamentos responsáveis nos próximos meses, enquanto durar o processo de vacinação e existir ameaça de infeção, não descurando as regras de conduta e de proteção adotados ao longo da pandemia, porque se mantém o risco real de doença e de perda de vidas.

Cidadania, com confiança e responsabilidade, continua a ser a palavra-chave da nossa ação coletiva para vencermos a pandemia, recuperarmos dos seus efeitos, na saúde ou na economia, e voltarmos a estar mais acima na montanha. Como merecemos.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico