Ana Gomes entregou assinaturas e diz sentir-se “bem acompanhada por muitos socialistas”

A candidata a Presidente da República voltou a criticar os dirigentes do PS por não haver uma candidatura do partido.

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A campanha de Ana Gomes não vai colocar cartazes nas ruas LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

Ana Gomes entregou nesta quarta-feira “cerca de 8300” assinaturas de apoio no Tribunal Constitucional para validar a sua candidatura a Presidente da República. Revelou ainda que o orçamento para campanha “anda à roda de 50 mil euros”.

A militante do PS criticou mais uma vez o processo de recolha de assinaturas previsto na lei, chegando mesmo a dizer que é “obsoleto e kafkiano”, culpando a Assembleia da República por não ter feito alterações às regras. E disse ter recolhido acima de dez mil assinaturas, “mas muitas declarações das juntas” de freguesia “não chegaram a tempo”.

Acompanhada pela sua mandatária nacional, Isabel Soares, Ana Gomes explicou que se candidata “porque não se pode desvalorizar as eleições presidenciais, como fez o PS, ao não patrocinar uma candidatura. “Se eu não estivesse hoje aqui, não haveria um candidato do campo do socialismo democrático”.

“Naturalmente, com propósitos de fazer a convergência de todos os que defendem a democracia, a verdade é que, se eu não estivesse aqui, não haveria uma candidatura daqueles que se revêem no socialismo democrático por decisão triste de alguns dirigentes do meu partido que, no fundo, incentivaram os militantes socialistas a votarem no candidato de direita”, afirmou aos jornalistas.

A candidata assumiu “sentir-se bem acompanhada por muitos socialistas, além dos independentes do Livre e do PAN”, que apoiam a sua candidatura. “Tenho tido o apoio de muitos socialistas e sei bem que eles não se revêem no candidato de direita.”

Sobre o relacionamento entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes disse que “as pessoas vêem que às vezes há demasiado encosto, onde devia haver respeito pela separação de poderes, e, por vezes há não só oposição e costas voltadas” e “até tapete retirado da parte do Presidente da República ao primeiro-ministro”.

Quanto ao orçamento da sua campanha, será “baixo, mas realista”, e não haverá cartazes nas ruas. A candidata aproveitou para lembrar que cada cidadão pode doar 26 mil euros a uma candidatura, mas a sua só aceita um máximo de 100 euros de cada pessoa.

Questionada por um jornalista sobre se o facto de ter como mandatária nacional Isabel Barroso Soares, filha de Mário Soares e Maria Barroso, não é uma chapada de luva branca ao PS, a diplomata preferiu valorizar “a grande mulher e a grande educadora”. “Uma mulher livre, uma socialista como eusocialista de esquerda, acrescentou a mandatária. É para mim uma inspiração e uma grande honra (…). Até pelo incentivo que é para todas as mulheres do nosso país para que se cheguem à frente. Este é o momento das mulheres mostrarem também que este país é delas.”

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