A MAD Panda quer ajudar associações com falta de ração para os animais que acolhem

A MAD Panda faz a ponte entre marcas de ração animal com sacos perto do fim da validade e as associações que precisam de alimentar os cães e gatos que acolhem. Desde Junho, já contribuiu com um pouco mais de cinco toneladas de ração e ajudou mais de 2000 animais.

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daniel rocha

Joana Moreira e Liliana Castro são amigas, têm cães e encontraram em comum a preocupação pela causa animal. Depois de “muitas chamadas online” e de terem percebido que “havia pouca profissionalização das associações animais”, decidiram criar, em Junho de 2020, a MAD Panda, uma associação sem fins lucrativos para dar resposta a associações do Norte de Portugal com dificuldades em ter comida suficiente para os cães e gatos que acolhem.

MAD Panda é o nome do projecto porque queríamos que fosse um nome que apelasse a alguma urgência”, explica Joana ao P3. “Estamos chateadas com a falta de apoio às associações e com a falta de políticas públicas e não nos queremos associar a cães ou a gatos, pois a ideia é crescer” e chegar a outros animais. 

“Inicialmente, fizemos um estudo, enviámos um inquérito a mais de 100 associações de apoio animal para percebermos como é que podíamos ajudar”, continua Joana. “Percebemos que mais de 90% delas vive do voluntariado, tem apoios pontuais de alimentação e de cuidados médico veterinários, porque não têm ninguém alocado a gerir estes apoios. A verdade é que todas elas têm necessidades alimentares regulares que não estão a ser supridas.”

Joana, directora de operações do Movimento Transformers, e Liliana, directora da FES Agency, sabem que “algumas marcas destroem o produto quando o prazo de validade da ração está a terminar e já não é possível vender”. O objectivo é que esses produtos, assim como aqueles que têm defeitos no saco e não são comercializados, sejam “canalizados para associações com dificuldades, de forma a também contribuir para a economia circular”.

Para isso, a MAD Panda entra em contacto com marcas que têm este desperdício alimentar e recolhe os alimentos junto das mesmas. Para receberem os bens, as associações têm de estar inscritas no site e ajudar com uma anuidade de 25 euros, que será devolvida juntamente com os apoios que receberão. Depois é só registar as necessidades alimentares e outros bens (de saúde e higiene, por exemplo) e a MAD Panda faz a distribuição tendo em conta o que tem em sua posse, numa garagem na Maia, e o que é necessário.

“Quando enviámos esse inquérito para as associações, enviámos depois o nosso site para se registarem e alguns inscreveram-se”, diz. “O que começa a acontecer agora é que as associações falam umas com as outras e há inscrições por recomendação.” Neste momento, a associação sem fins lucrativos apoia todas as semanas 20 associações, além de pedidos pontuais que vai recebendo. Desde Junho, a MAD Panda já contribuiu com um pouco mais de cinco toneladas de ração e ajudou mais de 2000 animais.

Depois do incêndio de Santo Tirso, onde morreram dezenas de animais e muitos ficaram feridos, a MAD Panda criou um pequeno documentário para chamar à atenção para este problema, “que não pode ser esquecido”.

E se te estás a perguntar se também podes contribuir, a resposta é sim. Joana, de 30 anos, e Liliana, de 31, queriam que este fosse “um projecto de mobilização comunitária” e, para qualquer pessoa ajudar, criaram um Patreon. Ao contribuíres com cinco, 10 ou 15 euros, estás a ajudar mensalmente a MAD Panda. “Com esse valor compramos os bens alimentares que não conseguimos obter por parte das marcas com as quais trabalhamos”, garante Joana.

Além disso, neste Natal e até ao final do ano, podes adquirir um voucher mensal, por 9,99 euros, ou anual, por 99,99 euros, posteriormente convertido em bens alimentares ou medicamentos específicos para estas associações. Para o comprar, podes enviar mensagem para as redes sociais e vais receber um email com o recibo e a forma de pagamento. Posteriormente, recebes o voucher online, para ti ou para ofereceres a alguém. Qualquer que seja a forma de ajudar, todos os meses são publicados relatórios de transparência para que todos saibam onde foi utilizado o dinheiro.

Texto editado por Ana Maria Henriques