Quase mil dias depois, um novo duelo táctico entre Conceição e Jesus

FC Porto e Benfica defrontam-se esta noite, em Aveiro, para decidir o vencedor da 42.ª Supertaça. Os “dragões” devem contar com Pepe, Otávio e Corona, enquanto as “águias” não vão ter Pizzi nem Gabriel.

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Pizzi será uma "baixa" na equipa do Benfica para a final da Supertaça LUSA/MIGUEL A. LOPES

Um duelo táctico entre Sérgio Conceição e Jorge Jesus está longe de ser uma novidade no futebol português, mas, esta noite (20h45, RTP1), o Estádio Municipal de Aveiro vai receber o primeiro clássico entre FC Porto e Benfica com Conceição e Jesus como protagonistas nos dois bancos de suplentes.

Na partida que vai decidir quem vence a 42.ª edição da Supertaça, tudo indica que os “dragões” vão apresentar-se quase na máxima força, enquanto as “águias” têm duas baixas de peso no meio-campo: Gabriel está lesionado e Pizzi acusou positivo no teste de despistagem à covid-19.

A história da Supertaça Cândido Oliveira está repleta de peripécias. A primeira edição aconteceu a 17 de Agosto de 1979 e, num jogo único disputado no antigo Estádio das Antas, o Boavista venceu o derby frente ao FC Porto, por 2-1, com dois golos de um ex-portista (Júlio Carlos).

No entanto, a partir da segunda edição, a prova mudou de figurino (vencedor decidido a duas mãos) e a regra passou a ser entregar o troféu nos últimos meses do ano - quase sempre entre Outubro e Dezembro.

Decisão quase um ano depois 

Com o regulamento a prever uma “finalíssima” em caso de empate no somatório dos dois jogos, por várias vezes a decisão da competição resvalou por vários meses e a 16.ª edição ficou na história como uma das mais sui generis: 300 dias depois de jogarem um primeiro jogo no Estádio da Luz, FC Porto e Benfica disputaram uma “finalíssima” em Paris – um golo de Domingos garantiu a conquista do troféu pelos portistas.

Com a viragem do século, a Supertaça reorganizou-se e ganhou uma nova identidade. Em Agosto de 2001, curiosamente com um novo derby entre FC Porto e Boavista (desta vez venceram os “dragões”) disputado em Vila da Conde, a prova passou a ser disputado em apenas num jogo em campo neutro e, imperetivelmente, no arranque da temporada.

Porém, num ano de 2020 onde quase tudo é atípico, a decisão sobre quem será o vencedor da Supertaça foi transferida para Dezembro, adiando também um novo duelo táctico entre Sérgio Conceição e Jorge Jesus.

Na antevisão do primeiro confronto desta época com o FC Porto, o treinador do Benfica não escondeu que mantém uma boa relação com o seu antigo jogador no Felgueiras, mas, com boa disposição à mistura, deixou claro que a amizade ficará suspensa até ao final: “Já conheço o Sérgio, foi meu jogador, tem uma família extraordinária. Ele antes do jogo nem me quer ver, é supersticioso. Ele não gosta de cumprimentar o rival antes dos jogos. Eu era assim na idade dele. Depois do jogo vamos falar, mas isso faz parte do que é o jogo e da nossa amizade”.

Sem transportar o duelo com Jesus para o lado pessoal, Sérgio Conceição também deixou algumas palavras elogiosas para o rival -  “Sei que é um treinador que empresta muita convicção e determinação ao que faz” -, mas o técnico do FC Porto não tem boas recordações dos últimos embates com o treinador do Benfica.

Apesar de o clássico desta quarta-feira ser o primeiro confronto entre portistas e benfiquistas com Conceição e Jesus nos bancos, os dois técnicos já estiveram frente-a-frente por 15 vezes. A primeira batalha táctica entre os dois treinadores aconteceu em Março de 2012 e acabou a zero num Olhanense-Benfica, mas, nos dois anos seguintes, Jesus levou sempre a melhor.

Com a mudança de Conceição para Braga, a balança passou a estar mais equilibrada e, com Jesus ainda no Benfica, o técnico de Coimbra conseguiu a primeira vitória: em Outubro de 2014, Jesus perdeu em Braga para a I Liga (2-1).

No entanto, foi na época 2017/18 que se realizaram os duelos mais “quentes”. Com Conceição no FC Porto e Jesus no Sporting, houve cinco confrontos entre “dragões” e “leões”, sempre com um ponto em comum: poucos golos.

Nessas cinco partidas (duas para a I Liga, duas para a Taça de Portugal e uma para a Taça da Liga), marcaram-se apenas cinco golos e, durante o tempo regulamentar, Conceição até levou a melhor (dois triunfos para o FC Porto, um para o Sporting). Todavia, nas provas a “eliminar”, foram os sportinguistas que saíram sempre por cima: nas meias-finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga, Jesus ganhou a Conceição no desempate por grandes penalidades.

Hoje, em Aveiro, 980 dias depois do último duelo entre os dois técnicos, o confronto pode voltar a ser decidido através de penáltis, mas antes do início da partida, Conceição, que já deve contar com Pepe, parece ter menos problemas para resolver do que Jesus, que terá duas baixas relevantes na zona do terreno onde o Benfica se tem mostrado mais frágil: sem Pizzi e Gabriel, resta Weigl, Taarabt e Samaris para formar a dupla do meio-campo.