Gostas de puzzles? Investigadores criam jogo para saber como se tomam decisões complexas

O jogo chama-se Hexxed e os criadores querem descobrir como é que cada jogador vai resolver os diferentes puzzles até chegar à “solução óptima”.

Foto
Marta Correia

E se, a partir de um jogo, se pudesse descobrir como é que as pessoas tomam decisões mais complexas? Foi a pensar nisso que Tiago Quendera, investigador da Fundação Champalimaud, em Lisboa, e Gautam Agarwal, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, ambos na área das Neurociências, criaram um jogo para smartphone ou tablet em que o objectivo é perceber como funciona a inteligência humana na tomada de decisões.

O jogo chama-se Hexxed, é gratuito, pode ser jogado a partir dos seis anos e está disponível para dispositivos com sistemas operativos Android e iOS. Os jogadores vão ser confrontados com o desafio de “resolverem os puzzles da melhor forma possível, ou seja, “apesar de haver puzzles extremamente complexos, há sempre uma solução que é óptima e o desafio é encontrá-la”. Tiago sublinha: há diferentes formas de chegar até ela.

O português de 27 anos considera que o jogo é “bastante desafiante” e até “um pouco difícil”. “Devido à forma como a nossa investigação está desenhada, é importante para nós que não expliquemos às pessoas como resolver os puzzles”, funcionando “como uma caixa negra, sem muitas instruções”, continua. Os investigadores querem saber “como é que as pessoas navegam esse universo que lhes é apresentado pela primeira vez e como é que conseguem começar a desbravar terreno de forma a ir para os puzzles mais complicados”, uma vez que a dificuldade dos mesmos vai aumentando com o avançar do Hexxed, cujo nome remete para a geometria dos puzzles, “todos hexagonais”.

A investigação com base em tomada de decisões simples já tem sido feita ao longo dos anos, ressalva Tiago. No entanto, “outros tipos de decisões muito mais complexas, como o xadrez”, em que se tenta perceber “como é que uma pessoa resolve o jogo ou como decide fazer a próxima jogada”, são um “problema muito difícil de investigar” e com “possibilidades enormes”. 

“Algo que nos interessa muito é tentar entender como é que as pessoas e as inteligências artificiais resolvem de formas diferentes os puzzles”, explica Tiago. Este tipo de informação “pode ajudar em coisas mais práticas da vida real, como melhorar algoritmos de controlo aéreo, algo em que, até hoje, o olho humano é bastante importante, e tentar criar algoritmos mais sofisticados que possam prevenir alguns acidentes”. Por outro lado, procuram compreender “melhor o comportamento humano”.

“Ao fazerem download do jogo, as pessoas podem jogar de forma totalmente anónima e nós recebemos os dados de forma totalmente anónima também”, garante, acrescentando que a “estratégia que a pessoa utiliza para resolver cada um dos puzzles” é o único dado a que têm acesso.

Texto editado por Ana Maria Henriques