Joana faz abraços de cerâmica

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O interesse de Joana Nogueira pela cerâmica começou num workshop em 2016, quando se apercebeu que “a matéria se apropria muito mais” àquilo que faz. A partir daí, a artista de 31 anos, formada em Artes Plásticas e em Animação e Ilustração juntou as competências adquiridas nestas áreas e mostrou que os abraços também podem ser de cerâmica. Ainda com a mesma matéria-prima, Joana fez nascer também aldeões e máscaras.

A artista, natural de Moledo e a viver no Porto, cria personagens desde que começou a trabalhar com cerâmica e não pensa muito sobre elas. “São minhas, mas elas vão nascendo a par da escultura, estão na minha cabeça”, diz, acrescentando que não costuma fazer esboços para as desenhar. “Comecei a fazer personagens pequeninas, aldeõezinhos, com umas mãos e uns pés, e as pessoas começaram a achar piada. Essas personagens estão só a ver o que se passa, sem fazer nada, e é um bocadinho para reforçar a necessidade de não querermos fazer sempre tudo”, explica.

Também foi nessa altura que surgiram os "ovos do cosmo", como lhes chama, referentes ao universo, que não têm expressão facial. “Era mais a questão de dar expressão às personagens pelas mãos e pelos pés. Só tinham isso. O resto era trabalho na pintura, que permitia criar, às vezes, o género ou o estado de espírito”, explica. Os abraços nasceram depois, quando decidiu criá-los para uma troca de presentes na altura do Natal. No início, Joana não pensou que poderia chamar ao seu trabalho abraço, mas depois percebeu que fazia sentido dada a posição das mãos, “que estavam agarradas”. Já as máscaras são o produto mais recente, fruto da inspiração de um workshop realizado no início da pandemia.

Os abraços, os aldeões, os ovos do cosmo e as máscaras são as peças que Joana mais destaca. “Quero criar expressões cómicas e engraçadas, mas também que dêem bem-estar às pessoas. Costumam dizer-me que são personagens estranhas, mas bonitas, ou seja, não são completamente o estereótipo do bonito”, explica, acrescentando que também prefere que assim seja, porque gosta “de uma cerâmica mais tosca”.

Não há peças iguais, não há moldes e tudo é feito manualmente. Para fazer qualquer uma destas peças, desde o pedido até à entrega ao cliente, demora cerca de dez a 15 dias. A encomenda pode ser feita a partir do Instagram ou por email e os preços começam nos 25 euros. “Estou sempre a produzir peças, mas há pessoas que me pedem algumas que eu já vendi. O formato é praticamente o mesmo, mas depois a expressão muda e são peças únicas, não as replico”, garante. Joana inspira-se na peça que o cliente gosta, mas nunca vai ser igual a nenhuma que já criou, seja a nível de desenho ou até de cores. “Nunca fui muito monocromática. Gosto de misturar cores e uso o giz para ter cores mais naturais. Gosto de experimentar. Em relação aos traços e linhas, inspiro-me em paisagens.”

Texto editado por Ana Maria Henriques

Joana Nogueira
Joana Nogueira