FC Porto consolida estatuto europeu

“Dragões” fecharam a fase de grupos da Liga dos Campeões com a primeira vitória na Grécia, chegando ao recorde de 114 triunfos na prova-rainha da UEFA.

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João Mário foi um dos jovens portistas lançado por Sérgio Conceição Reuters/ALKIS KONSTANTINIDIS

O FC Porto venceu na Grécia pela primeira vez para a Liga dos Campeões (0-2), numa noite sem sobressaltos diante do Olympiacos, em que manteve a baliza segura pelo quinto encontro consecutivo, que assinalou o encerramento da fase de grupos.

Sérgio Conceição dificilmente poderia ter levado mais longe o risco na gestão do último encontro do Grupo C. O treinador do FC Porto trocou oito jogadores face ao embate com o Tondela, com o trio Mbemba, Zaidu e Otávio a equilibrar um “onze” com diversos jovens da formação portista e ainda reforços “sonantes”, como Toni Martínez e Felipe Anderson, em busca de espaço e afirmação.

Da perspectiva do Olympiacos, esta opção do técnico do FC Porto representava a oportunidade ideal para explorar a maior inexperiência do adversário, no sentido de tentar garantir um resultado que ainda permitisse a transferência para a Liga Europa, uma vez que as posições cimeiras estavam perfeitamente definidas, com a qualificação de Manchester City e FC Porto, restando a incerteza quanto à posição do Marselha.

Contudo, um penálti — por mão de Holebas—, apanhado no crivo do videoárbitro, acabaria por libertar o fogo dos “dragões” e obrigar o Olympiacos a um esforço suplementar, com apenas dez minutos de jogo. Otávio dava vantagem à equipa portuguesa, que sobreviveu a uma desconcentração de Nanu, a permitir a infiltração de Masouras na área portista. Um erro que só não resultou no golo da igualdade porque o grego atirou escandalosamente por cima da baliza de Diogo Costa.

A partir aí, o FC Porto conseguiu manter a tranquilidade indispensável para fazer uma boa circulação de bola, obrigando os gregos a desgastarem-se e a tentarem encontrar soluções num jogo que não descobria espaço para as transições de que o Olympiacos tanto necessitava para desequilibrar.

Nesse sentido, era até o FC Porto que estava mais próximo de chegar com sucesso à baliza de José Sá, o que acabou por não se traduzir em golos porque faltou a Toni Martínez o instinto goleador, enquanto João Mário se insinuava mas também não ia além das intenções — sobrava, ainda, um Felipe Anderson sem o rasgo individual capaz de levar a equipa para uma dimensão diferente na zona de definição.

Os gregos jogavam ainda com a esperança de que o jogo de Manchester pudesse servir os interesses do Olympiacos, o que acabou por suceder logo no início da segunda parte, com o golo do City. Faltava agora um ponto para garantir a continuidade na Europa, o que levou a equipa de Pedro Martins a pressionar o FC Porto e a construir um par de situações potencialmente perigosas.

O problema dos homens do Pireu residia num pormenor relevante, já que o FC Porto, mesmo sem Pepe — e nesta quarta-feira sem Marchesín na baliza —, não sofria golos para a Champions desde o jogo de Manchester, padrão que não era o mais animador para uma equipa que teve num remate de Fortounis a melhor ocasião para bater Diogo Costa em toda a segunda parte. 

Sérgio Conceição decidiu, então, equilibrar os pratos da balança e soltar as “feras” Luis Díaz, Corona e Uribe. Cartada decisiva para acabar com as ilusões de Pedro Martins, que acabou por render-se ao golo de Uribe, depois de o compatriota do médio ter desmantelado a defesa helénica. 

O Olympiacos iria ainda perder o central Rúben Semedo, expulso, ficando assim à mercê da estocada do FC Porto, que concluiu a fase de grupos com uma vitória importante em termos financeiros (2,7 milhões de euros) e o prestígio reforçado com o primeiro triunfo para a Liga dos Campeões em solo grego. 

Um resultado que torna os portistas na equipa portuguesa com mais triunfos no somatório de encontros da Taça dos Campeões e da Liga dos Campeões, superando o Benfica. No 251.º jogo na prova, o FC Porto chegou às 114 vitórias numa noite em que teve sempre o jogo sob controlo.