Antigo ministro das Finanças da Áustria condenado a oito anos de prisão

Uma das figuras mais populares de um governo de coligação entre conservadores e a extrema-direita, Karl-Heinz Grasser foi considerado culpado de corrupção.

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Karl-Heinz Grasser afirma que é inocente e que o processo tem motivações políticas ROLAND SCHLAGER/EPA

O antigo ministro das Finanças da Áustria Karl-Heinz Grasser foi condenado esta sexta-feira a uma pena de prisão de oito anos num caso de corrupção ligado a uma privatização em 2004, num dos maiores julgamentos de corrupção no país.

Grasser foi o mais jovem ministro das Finanças da Áustria, chegando ao cargo com apenas 31 anos, numa coligação entre os conservadores do antigo chanceler Wolfgang Schüssel e o partido de extrema-direita FPÖ, primeiro pelo FPÖ e no governo seguinte mudando para o principal partido da coligação. Ocupou a pasta entre 2000 e 2007.

Grasser teve como mentor político Jörg Haider, o líder mais carismático do FPÖ (que deixou o partido criando outro em 2005, e morreu num acidente de carro em 2008), mas acabou por se distanciar deste.

O tribunal de Viena considerou provado que Grasser causou danos ao Estado em milhões de euros na privatização da cooperativa de habitação Buwog. A venda terá sido feita por um preço baixo porque Grasser deu à empresa vencedora informação sobre o valor da maior oferta, disse o tribunal. A empresa ofereceu apenas mais um milhão de euros do que a rival, que oferecera 960 milhões.

Grasser e outros acusados, também condenados a penas menores de prisão e multas, ficaram com parte do suborno dado pela empresa vencedora – 9,6 milhões de euros –, dividido em três contas no Liechtenstein. O tribunal deu como provado que uma das contas era de Grasser.

A defesa do ex-ministro das Finanças diz que o processo, que durou três anos, tem motivações políticas. O advogado reagiu à sentença afirmando apenas que iria recorrer.