“Tenho saudades da Night Summit”. Este ano, a FIL coube no ecrã

Em 2020, a Web Summit arrancou numa edição exclusivamente virtual, sem palco principal, reuniões frente a frente e convívio em Lisboa ao final do dia. A equipa tentou compensar com uma aplicação nova, centenas de videochamadas e ferramentas para reuniões misteriosas entre os participantes.

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A edição deste ano contou com centenas de videochamadas de todo o mundo DR

A edição deste ano da Web Summit arrancou esta quarta-feira num formato exclusivamente virtual com mais de 104 mil participantes de 168 países — são mais 30 mil do que em 2019. Destes há 1145 investidores, 2007 startups e 1137 oradores a falar sobre as tendências para 2021: sustentabilidade, saúde digital e inteligência artificial.

Embora grande parte das palestras seja transmitida diariamente no YouTube, o bilhete dá acesso a uma plataforma online que liga todos os intervenientes entre si. Assim, o palco principal na Altice Arena foi substituído por vídeos em directo (que nos levam para dentro das casas e escritórios de vários oradores) que são comentados em salas de mensagem privadas. As reuniões frente a frente transformaram-se em centenas de salas de videochamadas, grupos online e reuniões mistério à distância. Há ainda workshops virtuais e sessões de perguntas e respostas com vários dos oradores.

Em vez das tradicionais bancas no espaço da Feira Internacional de Lisboa (FIL), as startups fazem-se conhecer através de páginas online, apresentações virtuais e demonstrações dos seus produtos. A maioria é oriunda dos Estados Unidos, Canadá, Brasil e México. 

Os oradores deste ano incluem o fundador da plataforma online Zoom, Eric Yuan, o presidente da Huawei, Liang Hua, a presidente da comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e Tim Berners-Lee, o cientista britânico que criou a World Wide Web em 1989 e é conhecido como um dos “pais da Internet” por ter criado uma forma fácil de navegar entre várias páginas online. Como habitualmente, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, irá encerrar a feira, esta sexta-feira, pelas 20h45. 

Os encontros casuais no meio da feira existem através da função “Mingle” (inglês para “convívio”) que permite juntar participantes aleatórios para conversar em videochamadas de três minutos. O conceito lembra uma versão mais formal de sites como o Omegle, que permite conversas em tempo real com pessoas desconhecidas via webcam. Esta é a tentativa da Web Summit em manter as conversas espontâneas que ocorriam no meio da feira, mas contrariamente ao mundo real, o utilizador tem acesso a uma lista de tópicos em que a outra pessoa está interessada.

Foi testada pela primeira vez em Junho durante o Collision at Home, o evento irmão (mais pequeno) da Web Summit que acontece todos os anos no Canadá. A primeira edição virtual teve alguns percalços. Por exemplo, várias pessoas foram barradas no primeiro dia porque o fluxo de participantes (32 mil pessoas, ao todo) levou a plataforma online a suspeitar de ataque informático. “Estas situações fazem parte do processo”, notou o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave. O problema não se repetiu com a Web Summit.

A equipa da Web Summit frisa que a “interacção” foi o foco da edição de 2020. “Tenho saudades da Night Summit” era, porém, das frases mais repetidas ao final do dia de apresentações nos grupos de chat da plataforma, uma referência aos momentos de descontracção das edições anteriores em que os participantes eram recebidos com descontos em bares e discotecas Lisboetas.

Os participantes deste ano que compraram o bilhete (o mais barato ronda os 220 euros) a pensar numa edição presencial têm acesso directo à edição de 2021.

Web Summit vai até ao Japão

Apesar do sucesso da edição virtual, a feira quer regressar aos palcos físicos. Na quinta-feira, os organizadores anunciaram que em 2022 existirá a Web Summit de Tóquio, no Japão. Será um evento irmão do português, em Setembro, para durar cinco anos. A ideia é que a Web Summit se torne num evento repetido várias vezes por ano, em diferentes partes do mundo. Existem planos para feiras na América do Sul, África e no Médio Oriente, com Paddy Cosgrave a dizer que terão novidades em 2021.

“A tecnologia é cada vez mais global”, frisou. “Com o evento físico em Lisboa a expandir massivamente, é importante para nós angariar atenção em mercados que não são assim tão grandes para nós. O Japão e o Brasil são dois dos maiores mercados do mundo e é por isso que lá queremos ir.”