Covid-19 em Portugal: internamentos diminuem, mas há mais doentes em unidades de cuidados intensivos

Estão internadas 3251 pessoas (menos 24 do que no dia anterior), mas o número de doentes em cuidados intensivos continua a aumentar: são agora 517 (mais 11). Portugal registou mais 71 mortes e 5290 novos casos de infecção.

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O número de internamentos desceu após três dias consecutivos a subir Paulo Pimenta

Portugal registou 71 mortes por covid-19 e 5290 casos de infecção na terça-feira, de acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) divulgado nesta quarta-feira. No total, o país contabiliza 4127 óbitos e 274.011 infecções.

Estão internadas 3251 pessoas (menos 24), das quais 517 em unidades de cuidados intensivos (mais 11). O número de internamentos desceu após três dias consecutivos a subir, enquanto o número de pessoas internadas em cuidados intensivos é o maior desde o início da pandemia.

Recuperaram mais 5123 pessoas, o que faz subir o total para 189.356. Há 80.528 casos activos (mais 96) – número que resulta da subtracção dos recuperados e dos óbitos ao total de infecções.

Dos novos casos, 3224 (61%) foram detectados na região norte, onde morreram 35 pessoas no último dia. Na região de Lisboa e Vale do Tejo registaram-se 1177 novos casos (22%) e ocorreram 25 mortes. Morreram dez pessoas no Centro e uma no Alentejo.

A taxa de letalidade global em Portugal é de 1,5%. Cerca de 87,5% das pessoas que morreram com covid-19 no país tinham mais de 70 anos: 3609. Nestas faixas etárias morreram, no último dia, 11 homens e sete mulheres entre os 70 e os 79 anos e 20 homens e 23 mulheres com mais de 80 anos. Morreram cinco homens e duas mulheres na faixa etária dos 60 aos 69 anos e três homens entre os 50 e os 59 anos.

O Norte tem o maior número de casos de infecção: 143.129. Seguem-se Lisboa e Vale do Tejo (92.230), o Centro (26.455, mais 506), o Alentejo (5576, mais 256) e o Algarve (4951, mais 81). Os Açores registam 844 infecções (mais 16) e a Madeira 826 (mais 30)

O maior número de mortes por covid-19 ocorreu no Norte: 1942. Surgem depois Lisboa e Vale do Tejo (1492), Centro (531), Alentejo (102), Algarve (43), Açores (15) e Madeira (duas).

Temido repete: é muito cedo para falar do Natal

À semelhança do que já tinha referido Graça Freitas na segunda-feira, Marta Temido voltou a vincar na conferência de imprensa desta quarta-feira que é muito cedo para falar de medidas para o Natal, mas garantiu que há planos a serem preparados. E repetiu o que disse então a directora-geral da Saúde: os portugueses têm de se preparar para um Natal diferente e mais contido.

“Neste momento, estamos ainda a tentar para chegar o melhor possível aos primeiros dias de Dezembro. Vamos ter uma nova fase de estado de emergência, em que precisamos de nos concentrar em quebrar cadeias de transmissão e conter a doença. Alguns países iniciaram o crescimento desta segunda vaga mais cedo e consequentemente apresentaram medidas de contenção mais agressivas mais cedo e estão neste momento a poder antecipar melhor o final do mês de Dezembro. Nós estamos também a fazer essa análise, mas há uma coisa clara: não vamos poder ter um Natal igual ao dos anos anteriores porque, por muito que a situação melhore, isso depende do nosso esforço e de todos os que todos os dias saem para trabalhar, que levam os filhos à escola, que vão ter com as famílias ao final do dia. Só daqui a algum tempo conseguiremos perceber qual é o nível de restrição que teremos nessa altura do ano”.

A ministra da Saúde admitiu ainda que as medidas restritivas tomadas em Paços de Ferreira, Felgueiras e Lousada, no dia 23 de Outubro, têm funcionado “com grande precisão e têm permitido um percurso encorajador”, apesar de o aumento de novos casos continuar. Por isso, as medidas são para continuar em vigor e Marta Temido pede a colaboração de todos os habitantes dos três concelhos.

“Os territórios não são todos iguais, estamos a falar de territórios que têm relações de vizinhança e de contiguidade, e sabemos que isso é importante. Esta evolução tem sido acompanhada mais do que diariamente. O risco de transmissão efectivo está a baixar de facto, mas estamos com um número de novos casos diários que é ainda muito elevado e precisamos de manter as medidas. Precisamos de estabilidade e precisamos de consistência.”

Excepcionalmente, a habitual conferência de imprensa sobre a situação da pandemia em Portugal foi realizada na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, no Porto. A ministra da Saúde visitou autoridades de saúde e centros hospitalares na região mais afectada pela pandemia, nomeadamente Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Braga.