Angelina Jolie vai filmar a vida do fotojornalista Don McCullin

Nova longa-metragem da realizadora e actriz terá como base a autobiografia do repórter de guerra inglês, que documentou alguns dos grandes conflitos mundiais das últimas décadas. Tom Hardy fará o protagonista.

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Don McCullin DR
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Angelina Jolie HANNAH MCKAY/REUTERS

Unreasonable Behaviour (“Comportamento Irracional”, em tradução livre) é o título da autobiografia de Don McCullin (n. Londres, 1935), o celebrado foto-repórter inglês que documentou alguns dos mais graves conflitos das últimas décadas, do Vietname ao Líbano, do Camboja ao Congo. É também o título de trabalho do novo projecto de Angelina Jolie como realizadora, uma longa-metragem que terá como protagonista o actor Tom Hardy (Capone; série Irmãos de Armas), que assina igualmente a produção, em parceria com Dean Baker.

“Sinto-me muito honrada por ter a oportunidade de filmar a vida de Don McCullin”, disse a realizadora/actriz em comunicado divulgado na semana passada na imprensa de Hollywood. “O que me atraiu foi tanto a sua coragem como o seu humanismo. Mas também o seu compromisso absoluto em testemunhar a verdade da guerra, e a sua empatia e respeito por aqueles que sofrem as suas consequências”, acrescentou Jolie, manifestando ainda a expectativa de vir a conseguir realizar “um filme tão intransigente quanto a fotografia de Don McCullin, sobre as personagens e os acontecimentos extraordinários de que ele se fez testemunha, e também sobre a ascensão e a queda de uma época única no jornalismo”.

Unreasonable Behaviour, um biopic cujo lançamento não tem ainda data anunciada, será a quinta longa-metragem da realizadora (e representante da agência da ONU para os refugiados – ACNUR), que com ela retoma a sua atenção relativamente às causas humanitárias e aos grandes conflitos mundiais, com os cenários de guerra e as consequências que eles sempre acarretam para as populações locais.

Com Na Terra de Sangue e Mel (2011), filmou o cerco de Sarajevo; em Invencível (2014), regressou ao tempo da II Guerra Mundial; e com Primeiro, Mataram o Meu Pai (2017) recriou o quotidiano sob o regime totalitário de Polt Pot no Camboja dos Khmer Vermelhos.

“Ao ver o filme de Angelina Jolie sobre o Camboja, e tendo vivido tanto tempo lá durante a guerra, fiquei muito impressionado com o modo como ela retratou esse lugar e essa época de uma forma tão poderosa e precisa. Fico com a impressão de que estou seguro, estou com alguém com mãos firmes, competente e profissional”, disse Sir Don McCullin, também em comunicado citado pelo site de Hollywood Deadline.com.

O foto-repórter, que iniciou a sua longa carreira acompanhando a crise do Canal de Suez em 1956, e depois trabalhou como correspondente da revista The Observer, e do The Sunday Times Magazine, tem a sua obra actualmente documentada numa exposição na Tate Liverpool, patente até 9 de Maio de 2021.