Covid-19 em Portugal: internamentos continuam a aumentar. Há mais 3908 recuperados

Registaram-se 4044 novos casos de covid-19 este domingo. Óbitos subiram para 3971, com 74 mortes provocadas pelo vírus e mais sete pessoas internadas em cuidados intensivos.

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Feira da Senhora da Hora, Matosinhos Paulo Pimenta

Portugal registou, este domingo, 4044 novas infecções por SARS-CoV-2 e 74 óbitos, de acordo com o boletim divulgado nesta segunda-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). Este número representa uma nova diminuição do número de novos casos de covid-19, depois dos 4788 casos detectados no sábado.

Foram dadas como recuperadas 3908 pessoas, num total de 176.827 desde o início da pandemia. Apesar do elevado número de recuperações, há mais 90 pessoas internadas, comparativamente com os dados de sexta-feira, fixando o número de internamentos em 3241. Registou-se ainda uma subida do número de pacientes em unidades de cuidados intensivos: são agora 498, mais sete do que no último dia.

Quanto à distribuição geográfica, o Norte voltou a ser a região do país que concentrou a maior parte das novas infecções. Foram 2258, correspondente a 55,8% do total de novos casos. Lisboa e Vale do Tejo, com 1052 infecções (26%), foi a segunda zona do país mais afectada.

A região Centro (12,1%), o Algarve (3,1%) e o Alentejo (1,7%) completam as contas no Continente. No arquipélago da Madeira foram detectados 19 novos casos, enquanto nos Açores registaram-se 31 infecções. Não se registou qualquer óbito no dia de sábado nas ilhas.

A incidência cumulativa dos últimos 14 dias é de 758 casos por 100 mil habitantes. Também nesta estatística, a zona Norte é a mais afectada, com 1332 casos por 100 mil habitantes, o valor mais alto no país. 

No total, o país registou desde Março 264.802 casos de covid-19 e 3971 mortes provocadas por esta doença.

DGS apela: contactos físicos devem ser limitados às pessoas com quem se vive

A directora-geral da Saúde voltou a apelar, na conferência desta segunda-feira, a que os portugueses diminuam os contactos físicos ao estritamente necessário. Graça Freitas apelou a que o convívio se faça apenas com familiares ou pessoas que habitem na mesma casa.

“Ao conviver em presença com familiares meus de outros núcleos ou com amigos, aumento a probabilidade de contágio. Vamos fazer escolhas: está nas nossas mãos decidir com quem nos encontramos presencialmente; e nestes encontros, está também nas nossas mãos proteger e protegermo-nos. Há alternativas ao convívio físico”, vincou a directora-geral da Saúde.

Também relembrou a todos os que ficam em casa confinados, ora por estarem infectados ou por terem estado em contacto com alguém que tenha tido resultado positivo no teste à covid-19, para obedecerem às medidas da Direcção-Geral da Saúde sobre a desinfecção de equipamentos e espaços em casa, e não receberem visitas.

“Alguns graus de incerteza” sobre vacina

Sobre se a Direcção-Geral da Saúde (DGS) já tem preparado um plano de vacinação contra a covid-19 no país, Graça Freitas esclareceu que há muitas vacinas a ser desenvolvidas, “há pelo menos contratos celebrados com quatro empresas, duas outras estão em vias de entrarem nesta pool de fornecedores possível”, e qualquer plano estará dependente da aprovação da Agência Europeia do Medicamento e da tecnologia específica da vacina.

Há várias vacinas e são todas diferentes, têm tecnologias deferentes e indicações diferentes. O plano de vacinação tem vindo a ser feito ao longo destes meses desde que as vacinas começaram a ser fabricadas e a ser testadas. Dito isto, toda a logística, não só do transporte mas da rede de frio, a rede de administração, os planos de formação e comunicação, toda a logística está a ser pensada e depende de onde vier a vacina. A vacina há-de chegar de alguma forma e, de acordo com as características da vacina, haverá um ponto de chegada e pontos de distribuição secundários”, afirmou a directora-geral da Saúde.

Graça Freitas também espera que o processo de desenvolvimento da vacina seja concluído para responder se os grupos de risco serão vacinados regularmente e anualmente, já que “não sabemos a duração da imunidade produzida pela vacina”. “Temos alguns graus de incerteza, nomeadamente quem vai ser elegível e quantas doses vão ser necessárias”, afirmou.

Reinfecções alvo de estudo

No fim-de-semana, o presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, anunciou que existem dois casos de reinfecção de covid-19 no concelho. Graça Freitas garantiu que os casos estão a ser estudados pelas autoridades de saúde, mas a situação não é preocupante por ser extremamente rara.

“A descrição destes casos de reinfecção é muito reduzida a nível mundial, e implica que cada situação seja muito criteriosamente estudada. São situações raras que carecem de muita investigação e estudo e estes últimos relatos portugueses também estão a ser acompanhados e estudados para ver exactamente se são ou não verdadeiras reinfecções”, disse a directora-geral da Saúde.

Graça Freitas procurou ainda esclarecer o porquê de pessoas que tenham estado infectadas e tenham recebido alta clínica após dez dias continuarem a apresentar testes PCR positivos para a covid-19. Esclareceu que uma pessoa que tenham sintomas ligeiros poderá apresentar resultados positivos, mas não significa que esteja contagiosa; significa apenas que ainda há vestígios do vírus da covid-19 no sistema dessa pessoa.

“Considera-se que ao fim de dez dias uma pessoa que tenha doença ligeira e que não apresente febre ou qualquer outro sintoma nem agravamento de nenhum dos sintomas tem cura clínica. Porque é que ela pode dar ainda positivo? Não é necessário fazer teste, mas se persistirem partículas do vírus não quer dizer que a pessoa esteja infectada ou que transmita – quer dizer que ficaram fragmentos do vírus. Enquanto as partículas lá estiverem pode haver um teste positivo. É por isso que se considera o desaparecimento dos sintomas e a alta clínica como mais importante”, esclareceu.

Natal em análise

Questionada sobre se a DGS já pensou em medidas para o período natalício, Graça Freitas garantiu que as autoridades estão a analisar o tema, mas preferem esperar pelo impacto das últimas medidas tomadas.

“De um modo geral, os cidadãos têm contribuído para que a epidemia não seja ainda mais descontrolada e essa é uma coisa muito positiva na nossa sociedade. A epidemia está a crescer, mas temos que ter em atenção que o nível de crescimento já foi mais acentuado no passado. Acompanhamos as medidas previstas para o Natal e esperamos que seja possível abrandar de alguma forma as medidas que temos agora, sem que abrandamento signifique qualquer tipo de relaxamento”, afirmou a directora-geral da Saúde.