EUA: o voto jovem subiu 10% e foi decisivo na eleição entre Trump e Biden

O apoio dos eleitores com menos de 30 anos foi indispensável para Biden em estados muito disputados. Cerca de 61% dos eleitores com menos de 30 anos votaram no democrata, 36% escolheram Trump.

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Eleitores jovens afro-americanos votaram esmagadoramente em Biden Reuters/BRANDON BELL

Um dos factores por trás da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos foi também a elevada participação dos jovens, entre os quais o apoio ao candidato democrata foi enorme.

As primeiras análises de comportamento eleitoral mostram que o voto dos que têm entre 18 e 29 anos subiu cerca de 10% face às últimas eleições, em 2016, e isso favoreceu Biden em estados fundamentais para que alcançasse os 270 grandes eleitores do Colégio Eleitoral. As projecções indicam que a participação do eleitorado jovem andou em torno dos 53% face a 42% há quatro anos.

A preferência dos eleitores mais jovens por Biden em detrimento de Donald Trump foi marcante. Cerca de 61% dos eleitores com menos de 30 anos votaram no candidato democrata contra apenas 36% que escolheram o actual Presidente.

Nos estados onde Biden obteve vitórias cruciais a participação dos jovens foi determinante, de acordo com estimativas da Universidade de Tufts, no Massachussetts. No Michigan, por exemplo, Biden recolheu o apoio de 62% dos jovens contra 35% de Trump, o que representa uma vantagem de 194 mil votos, superior à diferença de 148 mil que ditou a vitória do democrata.

Um cenário semelhante foi observado na Pensilvânia, o estado que garantiu a vitória a Biden no sábado. Quando foi declarada vitória, o democrata ia na frente com 35 mil votos a mais do que Trump, mas tinha recebido 154 mil votos de jovens do que o seu adversário.

O sucesso do candidato democrata entre os eleitores jovens não era um dado adquirido no início da campanha, antes tendo sido um processo de conquista nos últimos meses. “Biden não era necessariamente o candidato que mais entusiasmava os jovens durante as primárias, mas à medida que as eleições gerais se aproximaram vimo-lo a falar mais sobre a dívida estudantil, vimo-lo a arriscar mais em relação ao clima do que antes e vimo-lo a ser mais vocal sobre a reforma da imigração”, diz ao Guardian a CEO da Youth Alliance, Sarah Aduelo, uma organização que defende os interesses eleitorais dos mais jovens.

A popularidade de Biden junto dos jovens não-brancos é ainda mais assinalável. Entre os afro-americanos, 87% votou no democrata, enquanto 83% dos asiáticos o fizeram, tal como 73% dos latinos. Entre os brancos, a margem foi ligeiramente superior a 50%.