Funchal vai duplicar extensão da ciclovia

Obra é concluída no próximo ano e estende-se por toda a zona turística. Ambição é prolongar depois o percurso até ao centro da cidade.

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Rui Gaudencio

Começou por ter 640 metros, em 2009. Cinco anos depois, o percurso aumentou 1.850 metros, e agora vai crescer 2,5 quilómetros. A ciclovia do Funchal, cuja empreitada referente à terceira fase arrancou este mês, é a face mais visível do Plano de Acção para a Mobilidade Urbana Sustentável que a autarquia está a desenvolver para uma cidade que sobe montanha acima.

Quando estiver concluída – o prazo de execução da obra são 12 meses, numa empreitada adjudicada por 1,2 milhões de euros –, a ciclovia vai ter perto de cinco quilómetros de extensão, e atravessar a zona turística da cidade, onde estão concentrados perto de 45 unidades hoteleiras. O objectivo, resume ao PÚBLICO, o gabinete do presidente da câmara municipal, Miguel Silva Gouveia, é capacitar o Funchal de infra-estruturas que encorajem a utilização habitual da bicicleta.

De um modo activo e seguro, a autarquia quer contribuir para diversificar os padrões de circulação na capital madeirense, que na maioria continuam a assentar no transporte individual motorizado.

“O Funchal é uma cidade marcada por uma orografia complexa, o que por si só constitui um desafio à mobilidade em geral”, enquadra a presidência da câmara municipal, explicando que análise da rede viária permitiu ao Departamento Municipal de Mobilidade e Trânsito identificar “eixos centrais” na cidade que, pelas características (declives pouco acentuados) são favoráveis a uma mobilidade activa. 

Um trabalho, acrescenta a mesma fonte, que está a ser complementado com medidas de acalmia de tráfego e requalificação do espaço público. “Existem condições para potenciar o alargamento da rede existente”, admite a presidência, sem se comprometer com um calendário.

Para já, o compromisso é concluir a terceira fase da ciclovia, que vai trazer o percurso até bem próximo do centro da cidade. No futuro, a ambição passa por levá-la até junto do Mercado dos Lavradores, no coração histórico do Funchal. “Em estudo, está por sua vez a possibilidade de aumentar a rede em mais sete quilómetros a médio-prazo, estendendo a ciclovia até à baixa da cidade”, adiantou a mesma fonte.

No início do ano, a autarquia procurou ouvir os habituais e potenciais utilizadores de bicicleta na cidade. Através de um inquérito online, os munícipes foram convidados a partilhar as experiências de pedalar na cidade. Quais as vantagens encontradas, os desafios diários e os principais obstáculos que se deparam, e os receios de quem ainda não usa bicicleta para deslocações diárias. Às preocupações transversais a todas as cidades, como o trânsito automóvel e a velocidade das deslocações, juntaram-se observações sobre a orografia da cidade e o clima húmido da Madeira.

Notas que a autarquia tem procurado responder no traçado que está a desenhar na cidade, promovendo um reforço da conectividade entre modos de deslocação suave, como a mobilidade pedonal e o transporte público de passageiros.

Esta preocupação com a mobilidade não se esgota na ciclovia. O Funchal, diz o executivo de Miguel Silva Gouveia, considera a “sustentabilidade ambiental e a inovação” dois “pilares estruturais” para o desenvolvimento da cidade. Nos últimos anos, a capital madeirense tem integrado vários projectos europeus e aproveitado fundos comunitários para actuar ao nível da eficiência energética, segurança rodoviária e pedonalidade. Exemplos são as passadeiras sensorizadas, a requalificação de arruamentos históricos e a gestão da mobilidade junto às escolas, através da colocação de zonas ‘Kiss & Ride’.

No final de Setembro, estas políticas foram distinguidas com o prémio CIVITAS Award Legacy 2020, atribuída pela Comissão Europeia. O galardão, que no ano anterior tinha sido atribuído à cidade de Estocolmo, visa distinguir cidades europeias empenhadas em acções que contribuam para a redução da dependência do transporte individual motorizado.

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