Sintra, Matosinhos e Guimarães entre os concelhos com mais novos casos na última semana. Taxa de testes positivos é de 9,8%

Paços de Ferreira e Lousada, abrangidos pelo dever de permanência no domicílio a três municípios do país, também fazem parte da lista de dez concelhos com mais casos.

Sintra é o segundo concelho com mais casos
Foto
Sintra é o segundo concelho com mais casos Diogo Ventura

Os concelhos de Sintra, Matosinhos e Guimarães fazem parte da lista dos dez municípios com maior número de novos casos na última semana, num ranking liderado por Lisboa. Nesta classificação, divulgada esta segunda-feira pelas autoridades de saúde, fazem ainda parte Paços de Ferreira e Lousada, concelhos que estão sob medidas de restrição que impõem o dever de permanência no domicílio. A taxa de testes positivos encontra-se nos 9,8%.

Quanto aos dados do mais recente boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), o número de novos casos desceu face ao valor divulgado este domingo. Foram detectados, no último dia, mais 2447 casos e 27 óbitos, uma descida face às 2577 infecções registadas, mas uma subida no número de mortes que, 24 horas antes, se tinha ficado pelas 19.

No que diz respeito aos internamentos, o país registou 98 novos pacientes, sendo agora 1672 pessoas internadas em unidades de saúde. O número de infectados nos cuidados intensivos também sofreu um aumento, com 240 pacientes nestas unidades, mais dez do que no boletim de segunda-feira.

O Norte, com 1633 novos casos, acolhe 67% do total de novas infecções. A região Centro, com 167 novos casos, é responsável por 7% dos novos casos, enquanto Lisboa e Vale do Tejo, com 580 infecções, reúne 24% das infecções detectadas no último dia. No Alentejo está aproximadamente 1%, a mesma percentagem da região algarvia. A Madeira registou 11 novos casos e os Açores cinco, não chegando a atingir 1% dos 2447 novos casos.

Testes rápidos vão ajudar a “reduzir e controlar ainda mais a transmissão​"

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, começou a conferência de imprensa desta segunda-feira sobre a situação epidemiológica abordando as novas normas de testagem da DGS, que prevêem a utilização de testes rápidos para diversas situações de despiste, como os surtos nas escolas ou lares ou os rastreios dos profissionais de saúde. A norma “tem efeitos a 9 de Novembro de forma a que todos os intervenientes tenham tempo de se adaptarem”, explicou.

“A utilização dos testes rápidos vai permitir dois objectivos essenciais: reduzir e controlar ainda mais a transmissão da doença e prevenir e mitigar o impacto da doença no sistema de saúde, nos seus serviços e nas populações mais vulneráveis”, explicou Graça Freitas.

As novas normas da Estratégia Nacional de Testes para SARS-CoV-2 têm duas componentes essenciais: “introduzir testes rápidos de antigénio” e “definir em que contexto estes testes devem ser utilizados”.

Uma “grande percentagem dos doentes”, a maior parte dos casos, são de pessoas entre os 20 e os 49, 59 anos, de acordo com Graça Freitas. No caso das crianças, a directora-geral da Saúde sublinhou que “as crianças muito pequenas têm apresentado taxas de incidências muito baixas”. Na semana de 19 a 25 de Outubro, apenas 4% dos casos foram de crianças entre os zero e nove anos, uma faixa etária em que os dados indicam que a doença “não se propaga tão facilmente”.

Quanto aos internamentos, a maior parte são doentes nas faixas etárias a partir dos 60 anos, sendo que o maior número de hospitalizados se verifica nos infectados com 80 ou mais anos.

Críticas à Fórmula 1

A directora-geral da Saúde criticou a organização do Grande Prémio, considerando que houve “alguma discrepância entre as recomendações [da DGS], a capacidade de organizar bem todas as bancadas e de fiscalização”. Ainda assim, “na maior parte das bancadas” houve respeito pelo distanciamento, afirmou.

“Lições aprendidas para o futuro. Temos de, nos próximos tempos, restringir muito os eventos ou limitar o seu número”, afirmou, deixando um apelo: “A responsabilidade última é minha, é vossa, é dos cidadãos. Nós é que temos de ter cuidado a manter a distância”, apelou Graça Freitas.​

Graça Freitas recordou que “experiências anteriores positivas” levaram à autorização do evento: “uma festa política que correu bem, uma manifestação religiosa e vários testes-piloto no futebol que correram bem — aliás, correram de forma exemplar”.

Sugerir correcção