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Ninguém liga à trégua humanitária no Nagorno-Karabakh

A trégua, para troca de prisioneiros e de corpos, negociada com ajuda da Rússia, devia ter entrado em vigor no sábado. Ambos acusam o outro lado de violar o acordo.

Funeral de um civil azerbaijano morto num bombardeamento
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Funeral de um civil azerbaijano morto num bombardeamento UMIT BEKTAS/Reuters

As forças separatistas arménias de Nagorno-Karabakh e o exército do Azerbaijão continuam esta terça-feira os combates em vários sectores da linha da frente, desrespeitando uma trégua humanitária pelo quarto dia consecutivo.

Como é habitual desde o início do conflito a 27 de Setembro, as partes rejeitam a sua responsabilidade pelas hostilidades, que já causaram cerca de 600 mortos, 67 dos quais civis, segundo balanços parciais. O Azerbaijão não comunica o número de baixas nas suas tropas.

Os separatistas de Nagorno-Karabakh acusaram o exército adversário de lançar uma tripla ofensiva, no sul, a norte e a nordeste da autoproclamada república. Bacu, por seu turno, afirmou estar a “respeitar o cessar-fogo”, acusando o lado arménio de disparar sobre os distritos azeris de Goranboy, Terter e Agdam.

A trégua negociada sob a égide da Rússia deveria ter entrado em vigor no sábado ao meio-dia para permitir pelo menos uma troca de prisioneiros e de corpos, mas nunca foi respeitada.

A agência oficial iraniana Irna noticiou esta terça-feira a queda de um drone de origem estrangeira no seu território, perto da fronteira com o Azerbaijão, adiantando que “a nacionalidade do drone e as causas da queda estão sob investigação”. O aparelho, que caiu numa aldeia na província de Ardebil (noroeste), sem causar vítimas ou danos, “poderá pertencer ao Azerbaijão ou à Arménia, tendo em conta os combates no outro lado da fronteira norte do Irão”, segundo a Irna.

O Nagorno-Karabakh, território de maioria arménia, separou-se do Azerbaijão, o que levou a uma guerra que causou mais de 30.000 mortos nos anos 1990. Desde então, Bacu acusa a Arménia de ocupar o seu território e os confrontos armados são regulares, mas as hostilidades em curso são as mais graves desde 1994.

Após quase 30 anos de impasse diplomático, o presidente azeri, Ilham Aliev, jurou recuperar o controlo do território, pela força se necessário. O receio é que o conflito se internacionalize, dado que Ancara encoraja Bacu à ofensiva e Moscovo tem um tratado militar com Erevan.

A Turquia é acusada de ter enviado combatentes sírios pró-turcos para ajudarem o Azerbaijão, o que Bacu desmente. No entanto, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, indicou que já morreram nos combates 119 combatentes sírios de fações pró-turcas, dos cerca de 1.450 destacados em Karabakh.

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