Negociações sobre Nagorno-Karabakh em Moscovo, mas com pouca esperança

Presidente do Azerbaijão diz rejeitar compromissos; primeiro-ministro arménio cocentra-se na troca de prisoneiros e cessação de hostilidades.

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Familiares com retrato de soldado do Azerbaijão morto Reuters/UMIT BEKTAS
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Padre diz missa na cave de uma igreja de Stepanakert que serve de abrigo para o bombardeamento Reuters/STRINGER
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Os ministros dos dois países em Moscovo LUSA/RUSSIAN FOREIGN AFFAIRS MINISTRY / HANDOUT

Moscovo recebeu nesta sexta-feira os ministros dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão e da Arménia, para negociações destinadas a pôr fim ao conflito pelo território disputado de Nagorno-Karabakh. Desde 27 de Setembro, quando recomeçaram os combates – os mais graves dos últimos 25 anos –, já morreram 400 pessoas.

Mas não há muita esperança de que esta iniciativa diplomática chegue a bom porto. O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, fez um discurso transmitido na televisão em que pôs de parte qualquer possibilidade de fazer concessões à Arménia.

Aliyev tem o apoio da Turquia neste conflito, e também Ancara fez ouvir a sua voz. “As iniciativas diplomáticas falharão se não envolverem um plano detalhado para pôr fim à ocupação”, afirmou o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar.

Refere-se às forças arménias: Nagorno-Karabakh é um enclave étnico arménio no Azerbaijão, alvo de violentas disputas entre as duas comunidades de religiões diferentes (muçulmanos e cristãos arménios). Em 1991-1994, a guerra por este território montanhoso fez 30 mil mortos e terminou com um cessar-fogo que tem sido violado múltiplas vezes.

Akar garantiu que a ofensiva do Azerbaijão não vai parar enquanto a Arménia não se retirar. “Até os terroristas e mercenários saírem dali, ninguém espere que os nossos irmãos do Azerbaijão parem”, afirmou o ministro turco.

As expectativas do Governo arménio não são altas. Disse que vai concentrar-se na cessação das hostilidades e troca de prisioneiros – e cadáveres. O primeiro-ministro Nikol Pashinyan considerou que a situação em  Nagorno-Karabakh está à beira de “um desastre humanitário”.

Stepanakert, a capital de Nagorno-Karabakh, tem estado sob bombardeamento constante, e a violência na região desencadeou uma forte mobilização na vasta diáspora arménia. Não só têm feito lobby junto dos governos dos países onde vivem para apoiarem a Arménia no conflito, como doaram dinheiro, tempo – e a si próprios, para combaterem neste conflito.

Cerca de 10 mil pessoas ofereceram-se como voluntários para combater por Nagorno-Karabakh, no primeiro dia desta nova vaga de violência, anunciou o Ministério da Defesa arménio.

Washington, Paris e Moscovo têm sido mediadores do conflito durante cerca de três décadas, e secretariam o grupo de Minsk da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, que assegura os contactos. Mas não tem havido progressos, e a sua acção é muito criticada pela Turquia.

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