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Reportagem

O Sara delas - As mulheres como epicentro de uma luta com quatro décadas

O segundo acampamento de refugiados activo mais antigo do mundo foi construído por mulheres que fugiram da guerra e das bombas de napalm e fósforo branco com os seus filhos ao colo, em meados da década de 70. O percurso sinuoso da “última colónia africana” pela voz das mulheres do Sara Ocidental.

“Cavámos profundos buracos para nos metermos lá dentro e nos defendermos das bombas que caíam do céu.” Milhares de mulheres fugiram para o interior do deserto com as crianças para escaparem das bombas de napalm e fósforo branco, enquanto os homens se organizavam para combater as forças invasoras, começou por nos contar Fatma, mulher sarauí que viveu as primeiras transformações na sua sociedade assim que Marrocos e a Mauritânia entraram em confronto com o Sara Ocidental. Um mergulho pelas memórias de Fatma (80 anos), mãe da Lala (34 anos), mulher enfermeira que nos hospedou no deserto árido a alguns quilómetros da cidade de Tindouf, na Argélia, nos acampamentos de refugiados do Sara Ocidental, servia assim de cartão de boas-vindas às 16 noites a dormir sob o alento das estrelas e aos 16 dias por debaixo de um calor abrasador a escutar as suas histórias.