Easyjet abre base em Faro na Primavera

Companhia áerea vai operar três Airbus A319 na cidade algarvia, que irão fazer a ligação com 17 destinos internacionais entre Março e Outubro de 2021. Pela primeira vez em 25 anos da sua história, a Easyjet prepara-se para apresentar resultados anuais com prejuízos, devido à pandemia.

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Paul Hanna

A Easyjet vai abrir uma base aérea em Faro na Primavera do próximo ano, estimando ali colocar três Airbus A319 (com 156 lugares cada um), que irão fazer a ligação com 17 destinos internacionais entre Março e Outubro de 2021 (a época de Verão do sector).

Com a concretização deste investimento, anunciado esta quinta-feira e que, de acordo com a empresa britânica, deverá “criar cerca de 100 novos empregos directos no Algarve”, a Easyjet passa a contar com três bases em Portugal, depois de Lisboa (aberta em 2012) e Porto (2015).

Além de Faro, a transportadora aérea vai abrir uma outra base em Málaga (Espanha). A abertura destas novas bases “vem reforçar o posicionamento para bases de sucesso como Palma de Maiorca, posicionando assim a Easyjet como a opção europeia certa para chegar a estes destinos de sucesso e permite corresponder ao pico de procura com capacidade sazonal”, referiu a empresa em comunicado.

Além disso, destaca, “estes novos aviões vão permitir à Easyjet reforçar os mercados existentes, bem como explorar novos fluxos no futuro, que antes lhe eram inacessíveis”. 

O director executivo da Easyjet Portugal, José Lopes, afirmou, citado pelo comunicado, que “este movimento confirma o compromisso da Easyjet com Portugal e com um crescimento sustentável no país e na rede europeia”. Isto, disse, “apesar da dificuldade que todo o sector está a atravessar”.

Pré-acordo com trabalhadores

O gestor adiantou ainda ter chegado a um pré-acordo com os representantes dos trabalhadores “para evitar quaisquer despedimentos em Portugal” e que a nova base “irá continuar a apoiar o emprego”. De acordo com a empresa, esta emprega cerca de 325 pessoas em Portugal, “todos ao abrigo de contratos locais e negociados com sindicatos portugueses do sector”.

A Easyjet iniciou as suas operações em Faro em 1999 e desde então, segundo afirma a transportadora aérea, já transportou mais de 20 milhões de passageiros de e para o Algarve. Agora, a ideia é “fortalecer ainda mais o caminho para a posição de liderança na região”.

De acordo com os dados do regulador da aviação civil, a ANAC, no terceiro trimestre do ano passado estava nas mãos da Ryanair, em termos de número de movimentos de aeronaves (27% de quota de mercado) e de passageiros transportados (29%), cabendo a segunda posição à Easyjet (18% e 20%, respectivamente, somando as operações do grupo britânico).

Os meses de Primavera e de Verão serão, segundo espera o sector do turismo, aqueles em que se verá uma tendência de recuperação do sector, depois do forte impacto provocado pela pandemia de covid-19 este ano. No caso do aeroporto de Faro, passaram por esta infra-estrutura 410,6 mil passageiros em Agosto, o que representa uma queda de 65,6% em termos homólogos.

A 20 de Agosto foi comunicado que Portugal passava a estar incluído na lista de países que o Reino Unido dispensava de quarentena, o que fez disparar as viagens e as reservas. No entanto, essa medida foi revogada a 10 de Setembro pelas autoridades britânicas. 

Por parte do Governo português, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, afirmou que o reforço da presença da Easyjet em Portugal é uma aposta que vai “criar importantes novos postos de trabalho e também potenciar a conectividade do destino Algarve, assim como a própria competitividade da região, tão decisiva para todo o país”.

Madeira tem novo modelo de subsídios por implementar

A companhia aérea opera também no Funchal, mas as ligações a este arquipélago passaram a estar em causa com o novo modelo de subsídio de mobilidade da Madeira, aprovado no âmbito do Orçamento do Estado (OE) para este ano. As mudanças, que ainda estão por regulamentar, iriam “forçar” a companhia a interromper as suas rotas em causa, segundo afirmou então a empresa. Isto devido tanto a questões tecnológicas, como o próprio modelo de negócio das low cost.

De acordo com as regras ainda em vigor, há direito ao reembolso quando o custo do bilhete é superior a 86 euros no caso de residentes e a 65 euros no caso dos estudantes que viajem entre esta região e o continente. As novas regras estipulam que o viajante passe a pagar desde logo apenas o valor que tem de ser desembolsado enquanto residente, anulando assim o pagamento total do bilhete no momento da compra, e o respectivo reembolso.