Fargo está de volta, com Chris Rock e cartões de crédito

A quarta temporada da série de antologia de Noah Hawley inspirada no universo dos Irmãos Coen estreia-se em Portugal esta segunda-feira, às 22h10, no TVCine Action.

Glynn Turman e Chris Rock na nova temporada de <i>Fargo</i>
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Glynn Turman e Chris Rock na nova temporada de Fargo DR

Cada nova temporada de Fargo é um recomeço. Desta feita, vira-se para o ano de 1950, em Kansas City, Missouri. A série de antologia de Noah Hawley, uma comédia negra que vai buscar inspiração ao universo e a algumas das preocupações existenciais dos irmãos Joel e Ethan Coen, tinha-se passado, até agora, à volta do Minnesota onde Fargo, o filme de 1996, decorria, contando histórias diferentes de pessoas envolvidas em mais do que aquilo com que conseguiam lidar. Também nunca tinha ido tão atrás no tempo.

Esta quarta época, que se estreia esta segunda-feira às 22h10 no TVCine Action, chega mais de três anos após a anterior, com o criador Noah Hawley ocupado com outra série, Legion, e o mundo do cinema, isto além da pandemia, que chegou na recta final da rodagem. Fargo, que continua, como o filme que lhe deu o nome, a vender-se como uma história verdadeira apesar de ser completamente inventada, foca-se agora em gangsters, na rivalidade entre dois grupos criminosos de italianos e negros a operarem na cidade.

A referência mais óbvia é História de Gangsters, o filme de rivalidade entre grupos criminosos que os Coen realizaram em 1990, recheado, como a série, de criminosos vestidos de casacos invernosos, mas em que também há, por exemplo, espaço para presidiárias acabadinhas de fugir à moda de Arizona Júnior, de 1987.

É uma história centrada em pessoas que ficaram à margem do chamado sonho americano, que não eram postas em pé de igualdade com quem era considerado branco e não se deixavam assimilar. Isto ainda que haja muitas diferenças na forma com os italianos e as pessoas de origem africana chegaram aos Estados Unidos — com os primeiros em busca de uma vida melhor e o segundo como escravos — e que nos anos 1950 o sentimento anti-italiano não era assim tão prevalente na sociedade.

A temporada é encabeçada pelo cómico Chris Rock, que aqui faz de Loy Cannon, o chefe de um dos grupos rivais, que empresta dinheiro na comunidade afro-americana e que tem uma ideia que não consegue vender aos bancos brancos: a de um cartão de crédito. É um papel que, como Rock tem dito em várias entrevistas, é raro na sua carreira. Não sendo totalmente dramático e dando-lhe espaço para reacções cómicas, é muito diferente do que lhe tem sido dado a interpretar até agora.

Além dele, surgem no elenco nomes como a brilhante actriz irlandesa Jessie Buckley, que ainda agora se fez notar em I'm Thinking of Ending Things, o filme Netflix de Charlie Kaufman, aqui a fazer o sotaque do Minnesota que Frances McDormand tinha no Fargo original; o britânico Ben Whishaw; Jason Schwartzman, o sobrinho de Francis Ford Coppola, alguém que sabe uma ou outra coisa sobre ficção de máfia italiana, em modo de vilão petulante e mimado; Jack Huston, neto de John, que também olhou para a máfia em A Honra dos Padrinhos, em 1985; Glynn Turman, de The Wire; o italiano Salvatore Esposito, da série Gomorra; ou o músico Andrew Bird.

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