Suécia regista o maior aumento de casos de covid-19 desde Abril

País vinha a registar uma pequena subida no número de casos após meses de números baixos. Ainda é cedo para perceber se é tendência, dizem autoridades de saúde.

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O epidemiologista-chefe sueco, Anders Tegnell LUSA/HENRIK MONTGOMERY
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As regras de distanciamento explicadas numa paragem de autocarro em Estocolmo TT NEWS AGENCY/Reuters

O aumento diário de casos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, assim como a subida nos internamentos de doentes de covid-19, estão a provocar preocupação na Suécia. O país estava a beneficiar de um número baixo de casos sobretudo em comparação com outros países europeus, assistindo a uma subida apenas ligeira nas últimas semanas.

Na quinta-feira, a Suécia registou 752 novos casos de infecção pelo ​coronavírus, o maior aumento diário desde Junho. Esta sexta-feira foram registadas 668 novas infecções e duas mortes (na véspera, não foram registados óbitos de covid-19). 

Mais preocupante, o número de internamentos em cuidados intensivos, ainda baixo, duplicou em menos de três semanas, com 26 pessoas nestas unidades.​

Foram decretadas novas regras para familiares de pessoas com covid-19 (como a maioria da resposta à pandemia na Suécia, não há penalização para quem não as cumprir): pessoas que vivam com alguém infectado devem agora ficar em isolamento cinco dias e fazer depois um teste. A excepção são as crianças, que podem continuar a ir à escola. 

O epidemiologista-chefe, Anders Tegnell, disse que o aumento está relacionado sobretudo com mais casos em jovens e surtos em locais de trabalho, e destacou uma grande concentração na capital, Estocolmo.

Tegnell comentou que ainda é cedo para tirar conclusões sobre o aumento de pessoas nos cuidados intensivos: “Algumas pessoas estão há muito tempo nos cuidados intensivos, outras há pouco tempo, por isso não diria ainda que é uma inversão na tendência” de casos decrescentes, observada até meados de Setembro. “Ainda assim, é certamente um sinal importante a que temos de estar atentos”, concluiu Tegnell.

Os números não têm comparação com os de Abril, quando chegou a haver 558 doentes em cuidados intensivos. Nos primeiros meses da pandemia, a Suécia teve muitas mortes, que ainda hoje fazem com que se destaque entre os seus vizinhos: 5895 mortos (e mais de 94.283 infectados). A seguir vinha a Dinamarca com apenas 652 mortos (e 28.932 infectados).

O facto de no Verão o país ter invertido a tendência, descendo a muito poucos novos casos por dia, fez com que muitos tivessem a esperança de que a Suécia conseguiria evitar uma segunda vaga que já se via em Espanha ou França.

As autoridades suecas têm argumentado que só se poderão comparar resultados de estratégias para a covid e o número de mortos, passado um ou dois anos do início da pandemia. Por outro lado, cientistas dizem que há uma grande diferença entre ter sofrido da doença quando médicos e sistemas de saúde se viram confrontados com a mesma pela primeira vez, do que agora, em que, apesar de não haver tratamento ou vacina, há um conhecimento maior dos efeitos que pode ter e como lidar com eles.

O aumento lento mas certo do número de novos casos nas últimas duas semanas levou as autoridades a desistirem dos planos de permitir um maior número de pessoas (até 500) na assistência a espectáculos com lugares marcados.

Ao mesmo tempo, a Suécia acabou esta quinta-feira com uma das pouquíssimas proibições que impôs: a de visitas aos lares. Alguns familiares de pessoas em lares conseguiram vê-las no exterior através de plásticos, mas esta semana marcou a primeira vez que foram permitidas visitas a esses estabelecimentos nos últimos seis meses.

A política de gestão da covid-19 nos lares foi alvo de muitas críticas, com acusações de que não houve preparação suficiente (estima-se agora que em 90% dos casos nos lares os funcionários tenham sido os transmissores) e de que muitas pessoas foram deixadas a morrer nos lares quando poderiam ter sido salvas com cuidados hospitalares.