Temas quentes de política externa na agenda do Conselho Europeu

Primeiro-ministro, António Costa, com intenso programa de contactos antes do arranque da cimeira de líderes europeus.

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António Costa reúne com presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, antes da cimeira de líderes Reuters/POOL

As questões relacionadas com o Estado de Direito e o novo mecanismo que vai ligar as transferências de fundos comunitários ao respeito pelas normas democráticas não figuram na agenda do Conselho Europeu extraordinário marcado para esta quinta e sexta-feira em Bruxelas, e dedicado à discussão de assuntos prementes de política externa. Mas o primeiro-ministro, António Costa, e os restantes líderes, não conseguirão fugir ao tema, que está no topo da sua lista de prioridades (e preocupações) a resolver até ao final do ano.

Antes da cimeira europeia, que arranca às 15h (hora de Bruxelas), António Costa terá oportunidade para falar sobre o orçamento comunitário, e o plano de recuperação desenhado em resposta à crise provocada pela pandemia de coronavírus, em encontros pessoais com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a vice-presidente executiva da Comissão, Margrethe Vestager, e os comissários responsáveis pelas pastas da Economia e Coesão e Reformas, Paolo Gentiloni e Elisa Ferreira. As conversas serão sobretudo sobre dinheiro, mas o primeiro-ministro também vai aproveitar a oportunidade para projectar o trabalho que Portugal terá pela frente a partir de Janeiro, quando assumir a presidência rotativa da União Europeia.

Na reunião extraordinária convocada por Charles Michel vai discutir-se “o lugar da Europa no mundo” e a “capacidade da UE para definir o seu próprio destino”, segundo a tradicional carta de convite enviada aos líderes. O debate será mais do que teórico: a intenção do presidente do Conselho Europeu é obter um acordo político para que a UE possa avançar com sanções contra a Bielorrússia, ou para organizar uma conferência internacional com a Turquia. O objectivo é pôr termo às actividades de prospecção turcas que ameaçam a soberania da Grécia e do Chipre e encontrar um quadro de entendimento que assegure a estabilidade no Mediterrâneo Oriental.

Outros tópicos servirão para os líderes repetirem os seus apelos: à investigação do envenenamento de Alexei Navalny pela Rússia, e à cessação imediata das hostilidades em Nagorno-Karabakh.

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