Há mais 60 mil pessoas que precisam de ajuda para comer e os pedidos de apoio não abrandaram

Desde o início da pandemia, o Banco Alimentar Contra a Fome passou a ajudar mais 60 mil pessoas que ficaram sem rendimentos devido à chegada do novo coronavírus. Um número que se mantém estável e sem sinais de abrandamento.

Se, no início da pandemia, muitas pessoas foram surpreendidas com a impossibilidade de ir trabalhar e a perda de rendimentos, neste momento, os pedidos de ajuda que chegam à Rede de Emergência Alimentar, revelam uma antecipação do que aí vem, conta ao PÚBLICO Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa de Bancos Alimentares Contra a Fome.

A rede liderada por Isabel Jonet alimenta mais de 400 mil pessoas, 60 mil das quais pediram ajuda desde o início da pandemia. E nem o fim do estado de emergência fez baixar estes números.

“Em alguns casos, algumas pessoas podem ter deixado de pedir apoio. No entanto, todos os dias surgem outros pedidos. O número de 60 mil está estabilizado desde Junho. Entram umas, saem outras. Todos os dias entram pessoas [no programa de apoio]. Temos uma média de 20/30 pedidos por dia”, explica Jonet. 

A responsável sublinha que a principal diferença entre os novos pedidos e aqueles que surgiram durante o período de confinamento é a de que “ninguém estava à espera” do que aconteceu em Março e, agora, “as pessoas já sabem que isto lhes vai bater à porta”. 

“Muitas pessoas já anteciparam que vão ser despedidas, sobretudo na restauração. Já lhes foi dito que no final do mês de Setembro o restaurante ia encerrar. Neste último fim-de-semana, vi que houve mais pedidos do que era habitual durante a semana.” 

Numa primeira fase, os trabalhadores mais afectados foram os dos serviços que tiveram de fechar portas ou viram a sua actividade bastante reduzida pelos constrangimentos que a nova realidade colocou. Entre eles estão cabeleireiros, personal trainers, taxistas, condutores de Uber, esteticistas. Também entre estes, “muitos continuaram a precisar de ajuda porque acumularam dívidas”. 

No final de Agosto, o ministro da economia, Pedro Siza Vieira, afirmou em Coimbra que“os próximos tempos serão de ressaca” e que “muitas empresas não conseguirão sobreviver e muitos empregos se perderão”. O desemprego, disse, citado pela Lusa, “vai crescer, mas ficará abaixo da crise anterior”. 

Os últimos números davam conta de 370,3 mil pessoas desempregadas em Junho, um aumento de 80,7 mil face a Maio. Os números definitivos para Junho colocam a taxa de desemprego nos 7,3% e os provisórios apontam para um aumento para 8,1% em Julho. 

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