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Taxa de desemprego de Junho revista em alta para 7,3%

Dados mensais do INE mostram subida da taxa de desemprego e também ligeiro aumento do emprego, com redução do cálculo dos inactivos.

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Turismo tem estado em forte baixa por causa da pandemia, afectando economia e emprego rui gaudencio

O INE reviu em alta a taxa de desemprego para Junho em 0,3 pontos percentuais, passando de 7% para 7,3%. Este valor, de acordo com as estimativas mensais de emprego e desemprego divulgadas esta segunda-feira, representa mais 1,4 pontos percentuais (p.p.) do que em Maio, “mais 1,1 p.p que há três meses [Março, quando se declarou a pandemia] e mais 0,7 p.p. que há um ano”.

Os dados definitivos de Junho (os provisórios foram publicados há um mês), que estão ajustados de sazonalidade, dão assim conta de 370,3 mil pessoas desempregadas (mais 80,7 mil face a Maio). É preciso ter em conta que este foi não só um mês em que as empresas puderam contar ainda com o apoio do layoff simplificado (quem aderiu logo em Abril podia beneficiar até Julho), medida que tem evitado o aumento do desemprego, mas também que há questões metodológicas a envolver os cálculos do INE.

Mesmo com estes factores, é preciso recuar a Março de 2018 para encontrar uma taxa de desemprego superior ao valor oficial de 7,3% -- e, em termos homólogos, o recuo vai até Junho de 2017. Até agora, os mais afectados pelo desemprego têm sido os que tinha contratos a prazo e vínculos precários.

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“A informação” recolhida, diz o Instituto Nacional de Estatística (INE), é influenciada “pela natural perturbação associada ao impacto da pandemia na obtenção de informação primária”, e “pelas alterações comportamentais decorrentes das medidas de salvaguarda da saúde pública adoptadas”, pelo que é preciso “especial cuidado a ter na análise das estimativas provisórias” apresentadas.

Neste caso, os resultados provisórios para Julho dão conta de uma subida do desemprego, com a taxa a chegar aos 8,1% (mais 1,6 p.p. face ao que se tinha registado em idêntico período do ano passado).

Por outro lado, os dados do INE mostram uma subida dos empregos em Junho, com mais 13,3 mil postos de trabalho face a Maio (0,3%), chegando a população empregada às 4668,6 mil pessoas. Já em termos homólogos verifica-se uma descida de -3,4% (equivalente a 163,6 mil empregos) e, olhando para Março deste ano, contabilizam-se menos 143,8 mil postos de trabalho desde o início do surto de covid-19.

Pelo meio, entre mais desempregados e empregados, há a taxa de inactividade, que desceu de 36,4% para 35,2% em Junho (cerca de 94 mil pessoas). Os dados sugerem que maior parte dos inactivos que deixaram de estar assim registados passou para a categoria de desempregados.

Durante a pandemia, diz o INE, “pessoas anteriormente classificadas como desempregadas e pessoas que efectivamente perderam o seu emprego podem ser classificadas como inactivas se não fizeram uma procura activa de emprego, devido às restrições à mobilidade, à redução ou mesmo interrupção dos canais normais de informação sobre ofertas de trabalho em consequência do encerramento parcial ou mesmo total de uma proporção muito significativa de empresas”.

Além disso, “pessoas anteriormente classificadas como empregadas podem agora não cumprir os critérios” necessários, como os que estiveram “ausentes do trabalho por uma duração prevista superior a três meses e que, simultaneamente, aufiram um salário inferior a 50% do habitual”. Essa realidade parece começar agora a mudar, com o aliviar das restrições e a reabertura da economia, esperando-se os dados definitivos de Julho para uma melhor percepção do quadro do emprego.

Há também a taxa de subutilização de trabalho, um conceito mais alargado de desemprego, que inclui o trabalho parcial indesejado e as pessoas desencorajadas a procurar emprego, e que subiu 0,9 p. p. face a Maio, para os 15,5% (mais 2,5 p.p. face a idêntico período de 2019).

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, afirmou hoje em Coimbra, na conferência de dirigentes nacionais e regionais do PS, que “os próximos tempos serão de ressaca” e que “muitas empresas não conseguirão sobreviver e muitos empregos se perderão”. O desemprego, disse, citado pela Lusa, “vai crescer, mas ficará abaixo da crise anterior”.

No boletim económico de Junho, o Banco de Portugal estimou que a taxa de desemprego chegue aos 10,1% este ano, contra os 6,5% do ano passado.

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