Suspeito de homicídio de português na Suíça tinha saído da prisão em Julho

O acusado, um turco-suíço de 26 anos, foi preso em Abril de 2019 e ficou em liberdade em Julho deste ano.

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A vítima era um cidadão português de 29 anos que residia há pouco na região e trabalhava na apanha da maçã Reuters/ARND WIEGMANN

O turco-suíço de 26 anos acusado de ter morto à facada um português num restaurante de kebab em Morges, Suíça, no sábado passado, terá saído da prisão no mês de Julho, segundo as autoridades.

Em comunicado, o Ministério Público da Confederação (MPC) refere que o suspeito do homicídio do jovem português, de 29 anos, vítima de homicídio na noite do 12 de Setembro, já era conhecido pelas autoridades.

O acusado de 26 anos, com dupla nacionalidade suíço-turca, tinha sido detido e mantido em detenção preventiva no mês de Abril de 2019, na sequência de um ataque incendiário a uma estação de serviço em Prilly (VD). Foi no decurso deste caso que o Ministério Público do Cantão de Vaud se deparou com indícios de possíveis antecedentes jihadistas do suspeito.

O MPC acrescenta que o indivíduo já estava na mira do Serviço Federal de Identidade (FIS) desde 2017, devido ao consumo e divulgação de propaganda jihadista. Segundo a Rádio e Televisão Suíça (RTS), que cita uma fonte próxima da investigação, o arguido terá confessado o crime de Morges, por vingança contra o “Estado suíço” e para “vingar o Profeta”. “Ele atacou um homem representando a população suíça”, de acordo com a mesma fonte citada pela RTS.

Após vários meses em prisão preventiva na sequência do incêndio em Prilly, o suspeito foi posto em liberdade, em Julho passado, sujeito a medidas alternativas de pena de prisão, previstas no código penal suíço. O Ministério Público explica que a libertação do suspeito foi baseada num relatório psiquiátrico. Segundo consta no comunicado, o arguido apresentava transtornos psicológicos.

Até à data do crime de Morges, as autoridades não tinham registado nenhuma violação por parte do suspeito às condições de libertação. O ataque teve lugar no sábado à noite, cerca das 21h20 (hora local, 20h20 em Lisboa), num restaurante perto da estação de comboios de Morges, no cantão de Vaud. A vítima, que morreu no local, era um cidadão português de 29 anos que residia há pouco na região e trabalhava na apanha da maçã. A vítima aguardava a sua vez na fila do restaurante de kekab quando, sem motivo aparente, um suspeito o atacou com uma arma branca.

Na hora do crime, a vítima estava acompanhada da namorada e de amigos, que assistiram ao caso. Após uma noite de fuga, o agressor foi preso, no domingo passado, em Renens, pela polícia do cantão de Vaud. No dia seguinte, a investigação foi assumida pelo Ministério Público. Os motivos que levaram ao ataque ainda não foram desvendados, mas o Ministério Público não descarta a hipótese de se tratar de crime terrorista.

A página de Facebook Portugueses na Suíça informa a comunidade que será organizada uma missa de despedida à vítima, antes do corpo seguir para Portugal, esta tarde, pelas 15h locais (14h em Lisboa), em Lausanne. Nos comentários de reacção à publicação podem ler-se várias mensagens de força destinadas aos amigos e família e uma vaga de indignação pelo acontecimento trágico que custou a vida a um jovem inocente.

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