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Leiria: nesta peça de teatro tens de escapar de um matadouro

Terror e mistério juntam-se num espectáculo imersivo criado pelo projecto Casa Assombrada, do Teatro Reflexo, que promete “um medo de gelar a espinha”. Desta vez, as pessoas são convidadas a conseguir escapar de um matadouro, em Leiria.

O terror das peças do projecto Casa Assombrada, do Teatro Reflexo, chega agora a Leiria. Além de cidade, mudou-se também o cenário. Desta vez, o espectáculo Matadouro não ocupa palácios ou casas abandonadas, mas sim um matadouro real que se encontra, de momento, inactivo. A peça estreia-se a 26 de Setembro. 

Sob a alçada do teatro imersivo, este espectáculo traz o público para o centro da acção. Aqui, o espectador é convidado a participar activamente no desenrolar e no desfecho da história. De acordo com o director e criador do Teatro Reflexo, Michel Simeão, as pessoas podem, além de “assistir, fazer o percurso pelo espaço, entrar nas diversas salas que o compõem e desafiar os próprios medos”. Durante a experiência, quem assiste é ainda convidado a resolver mistérios e a desvendar partes ocultas da narrativa.

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Teatro Reflexo

A peça termina quando o espectador escapar do matadouro. Num esquema labiríntico de portas, apenas uma promete a liberdade. Para fugir, os participantes têm de descobrir a porta certa e decifrar o código que a abre. Embora a missão de escapar — inserida um conceito de escape game — seja o objectivo, o director não deixa de reforçar o facto de “ninguém ser obrigado a participar activamente” na trama. Fica ao critério de cada visitante escolher iniciar a aventura. Está é garantido “um medo de gelar a espinha”, realça a companhia.

O convite para a realização desta peça partiu da promotora de eventos About Bliss. Diogo Borges, director da agência, assistiu a espectáculos anteriores e decidiu propor ao Teatro Reflexo a realização de uma peça de teatro num matadouro inactivo em Leiria. Michel Simeão admite ter ficado “deslumbrado” quando visitou o local. “Não é fácil encontrar um espaço deste tipo para criar uma experiência de teatro imersivo”, explica ao P3. À ideia de ter um cenário diferente, juntou-se a vontade de descentralizar já sentida pela companhia.

Criado em 2015, este projecto de teatro imersivo ganhou nome sobretudo a partir da peça Casa Assombrada, que esteve em cena em 2016 na Quinta da Nova Assunção, em Sintra. Uma experiência que surgiu com o intuito de “criar novos públicos de teatro”, conta Michel Simeão, para quem é “desolador reconhecer que a esmagadora maioria dos jovens não tem hábitos de teatro”. “O teatro precisa de ser reinventado”, defende.

Neste sentido, a companhia procurou compreender “o que está a falhar” e adaptar os espectáculos “ao grande público”. E trazer o espectador para o centro da acção, “quer seja na vertente de terror ou não, foi claramente uma resposta”. Nos primeiros dois anos de existência — entre 2015 e 2017 —, contaram com 20 mil pessoas na assistência.

Terror dentro do terror” é a expressão utilizada por Michel Simeão para descrever a realidade dos teatros em contexto de pandemia. As medidas de prevenção da covid-19 vão ser respeitadas durante toda a peça, garante o director. Com um limite máximo de 21 pessoas, os grupos vão encontrar, ao longo do percurso, diversos pontos para desinfectar as mãos. Além disso, é obrigatório o uso da máscara, bem como o distanciamento social.

As sessões de Outubro já se encontram esgotadas. Em Novembro, há espectáculo à sexta-feira e sábado, em diferentes horários. Os bilhetes custam 16 euros. Os interessados podem encontrar mais informações e saber como comprar entradas na página de Facebook do projecto.

Texto editado por Amanda Ribeiro

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