Don’t Feed These Animals: a curta que levou dois portugueses a Hollywood

Estavam cansados de produzir conteúdos publicitários e foi-lhes oferecido o desenho de um coelho e uma cenoura. Acabaram por chegar a vários estúdios de Hollywood. Para ver em exclusivo no P3: Don’t Feed These Animals.

Por onde começar uma curta de animação? A esta pergunta, Guilherme Afonso e Miguel Madaíl de Freitas poderiam responder: “com o desenho de um coelho lobotomizado oferecido num jantar de Natal”. E assim nasceu a curta-metragem Don’t Feed These Animals, que chegou a constar na lista de pré-selecção dos Óscares para melhor curta-metragem de animação.

“Foi uma espécie de ultimato interno”, contam os realizadores, numa videochamada com o P3. A Nebula Studios, empresa criada por Guilherme mal acabou o curso de cinema, dedica-se “maioritariamente à publicidade”, motivo pelo qual os dois começaram a sentir uma “necessidade de criar ideias novas”. “Mais do que sermos marionetas técnicas, queríamos tentar mostrar o nosso valor”, acrescenta Miguel, formado em design e desde cedo apaixonado pelo 3D, que se juntou à equipa em 2010. 

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“É agora ou nunca”, pensaram, ao verem o desenho concebido e oferecido por José Alves Silva, uma “peça essencial” da curta. O coelho lobotomizado, tão “fofinho” quanto “creepy”, foi o ponto de partida para o filme que os levou numa viagem alucinante. A curta foi seleccionada para mais de 100 festivais nacionais e internacionais, ganhou 20 prémios (entre os quais, o de mérito no Speechless Film Festival) e deu à dupla a oportunidade de conhecer vários dos grandes estúdios de Hollywood. 

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Da esquerda para a direita, Guilherme Afonso e Miguel Madaíl de Freitas DR

Don’t Feed These Animals conta a história de um coelho que dá vida a uma cenoura, gerando-se uma dualidade entre o “quero-te comer” e o “mas ela é humana”. A cenoura, que já constava do desenho original, pareceu-lhes “cute” e “engraçada”. “Há sempre aquela coisa: ‘o que é que os coelhos comem?’, ‘será que podem ser amigos?’”, explica Guilherme.

“Parece que não tem um género definido, nem uma idade definida”, comenta Miguel. De facto, a curta tanto ganhou um festival de terror como um infantil. Inspirados por filmes como Quem Tramou Roger Rabbit? ou a série de televisão O Laboratório de Dexter (com que partilha o compositor da banda sonora, Steve Rucker), os realizadores queriam criar algo que pudesse chegar a um “público abrangente”. 

A curta, que se iria estrear nos cinemas NOS não fosse a pandemia, estreia-se online dia 10 de Setembro. E o P3 apresenta-a em exclusivo.

Texto editado por Amanda Ribeiro