Covid-19: pelo menos 13 pessoas morrem esmagadas após polícia dispersar festa ilegal no Peru

Dos 13 mortos, 11 foram diagnosticados com covid-19. Presidente do Peru manifestou “tristeza” pelas vítimas, mas também “raiva e indignação” em relação aos organizadores da festa ilegal, num dos países mais atingidos pela pandemia em todo o mundo.

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Polícia foi chamada para dispersar uma festa clandestina após denúncias de vizinhos Reuters/STRINGER
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Foram detidas 23 pessoas, incluindo os proprietários da discoteca Reuters/STRINGER

Pelo menos 13 pessoas morreram esmagadas e asfixiadas ao tentarem fugir de uma festa clandestina no distrito de Los Olivos, em Lima, no Peru, depois de a polícia ter sido chamada para evacuar o local. Segundo as autoridades peruanas, no interior do Thomas Restobar estavam 120 pessoas, um ajuntamento ilegal numa altura em que o país está sob medidas de confinamento devido à pandemia de SARS-CoV-2.

A polícia foi chamada à discoteca por vizinhos. Quando lá chegou, os participantes da festa tentaram escapar, mas acabaram por se ver encurralados. “Tentaram fugir através da única saída, atropelando-se uns aos outros, e ficaram presos nas escadas”, disse o ministro do Interior, Jorge Montoya. O ministro garantiu que a polícia “não usou qualquer tipo de arma ou gás lacrimogéneo” para dispersar os participantes da festa clandestina. No entanto, algumas testemunhas dizem precisamente o oposto.

O Governo peruano revelou que 12 das 13 vítimas mortais são mulheres, todas entre os 20 e os 30 anos de idade. Há ainda registo de pelo menos seis feridos, três deles polícias.

Segundo o procuradoria-geral peruana, citada pela Reuters, 11 das 13 vítimas mortais estavam infectadas pelo novo coronavírus. Os 60 polícias envolvidos na operação fizeram o teste e aguardam o resultado.

A polícia fez ainda 23 detenções, incluindo o casal proprietário da discoteca. Dos detidos, 15 foram diagnosticados com SARS-CoV-2, revelou o Presidente do Peru, Martin Vizcarra.

“Sinto muito e estou triste pelos amigos e familiares das pessoas que morreram, mas também sinto raiva e indignação por aqueles que foram irresponsáveis ao organizarem este tipo de evento”, disse Vizcarra no domingo, citado pela Reuters. “Por favor, reflictam. Não vamos perder mais vidas por negligência”, acrescentou. Vizcarra pediu ainda uma “sanção exemplar” para os responsáveis. 

Devido à covid-19, o Peru ordenou o encerramento de bares e discotecas em Março e, no passado dia 12 de Agosto, impôs mais medidas restritivas em relação a ajuntamentos, numa altura em que o país ainda não conseguiu controlar o aumento de casos de infecção. 

O Peru foi um dos primeiros países a impor a quarentena na América Latina – logo no dia 15 de Março, quando o país tinha cerca de 70 casos de infecção, foram encerradas as fronteiras e os peruanos foram impedidos de sair de caso, expecto para comprar comida e trabalhos essenciais. 

No entanto, apesar das medidas de confinamento impostas logo numa fase inicial da pandemia, o país não tem conseguido controlar a disseminação do vírus. O Peru, que regista mais de 594 mil infecções e mais de 27.600 mortes devido à covid-19, é o sexto país com mais infectados a nível mundial (a seguir a Estados Unidos, Brasil, Índia, Rússia e África do Sul) e o segundo na América Latina.