Albuquerque ainda não encerrou candidatura a Belém

André Ventura convidou líder do PSD-Madeira para coordenador político da candidatura à Presidência da República. Albuquerque, que este mês defendeu que o PSD deve dialogar com o Chega, avisa que ainda não saiu da corrida.

Miguel Albuquerque
Foto
Miguel Albuquerque Gregorio Cunha

Não é uma resposta directa a André Ventura, garante Miguel Albuquerque. É um aviso à navegação. Ventura enviou uma carta a Albuquerque, convidando-o a ser uma espécie de coordenador político da candidatura do líder demissionário (e recandidato à liderança) do Chega à Presidência da República. O chefe do executivo madeirense diz que (ainda) não recebeu a carta, mas adianta que a sua própria candidatura a Belém não está encerrada.

“Tudo dependerá das posições e programas que os candidatos, incluindo o prof. Marcelo Rebelo de Sousa, tomarem em relação à Madeira e à defesa das suas principais propostas”, ressalva o líder do PSD-Madeira, elencando o aval do Estado ao empréstimo da Madeira, para viabilizar uma poupança na ordem dos 60 milhões de euros, e a criação de um sistema fiscal próprio para o arquipélago. Condições, diz Albuquerque, essenciais para o plano de recuperação da região autónoma da Madeira.

Sobre a carta enviada por Ventura, Albuquerque nada diz. Fonte da Quinta Vigia, sede oficial da Presidência do Governo madeirense, garante ao PÚBLICO que não chegou qualquer missiva, mas a agência Lusa adiantou esta quarta-feira o teor.

“Venho por este meio convidá-lo a ser um dos pilares da minha candidatura como Máximo Coordenador e Representante Político da mesma. Atentas as últimas sondagens, não há dúvida de que a leve esperança de uma não recondução de Marcelo Rebelo de Sousa só pode ser concretizada pela minha candidatura. É a esse esforço que o convido a juntar-se, por Portugal e pelo desenvolvimento efectivo da região autónoma da Madeira”, escreve André Ventura, procurando capitalizar as críticas que o líder madeirense tem dirigido a Belém nos últimos meses.

“Marcelo esteve sempre contra a região e ao lado do Governo da República, que não tem outro interesse senão transformar a Madeira e o Porto Santo em feudos socialistas, como já acontece em boa parte das regiões e distritos do país”, acrescenta a carta, em que André Ventura coloca-se como o único candidato capaz de “impedir a renovação” da “tragédia” que tem sido a presidência de Marcelo para o país e, “em especial”, para a Madeira.

Albuquerque, que em Maio admitiu avançar com uma candidatura própria à Presidência da República, contra o “unanimismo”, o “circo montado” e o “namoro” entre o primeiro-ministro António Costa e o Presidente da República, defendeu este mês, numa entrevista ao PÚBLICO, a necessidade de o PSD dialogar com forças políticas à direita do PS. Incluindo o Chega. “O PSD deve é fazer aquilo que Sá Carneiro fez em 1979. Também fez a AD numa altura em que se dizia que o CDS era fascista”, argumentou Albuquerque.

Sugerir correcção