Agon Branza congelou a “apatia face à discriminação” numa máscara a que não quer voltar

Glitter Guns é o primeiro avanço do projecto artístico de Agon Branza, projecto do músico e produtor Gonçalo Abrantes. O videoclipe estreia-se aqui no P3. 

Entre a reacção e a apatia, Gonçalo Abrantes escolheu “finalmente” a primeira opção. Não se orgulha dos momentos em que não disse o que achava, perante tratamentos discriminatórios. “Senti essa falta de força. Senti-me frustrado comigo mesmo. E não agir não traz benefícios a ninguém.”

A resposta chegou em nome de Agon BranzaGlitter Guns é o primeiro single do projecto artístico do músico e produtor de Lisboa, a viver em Londres desde 2013. Foi uma tentativa de libertação, da “apatia individual e colectiva”, mas também dos 30 metros quadrados a que o seu mundo foi reduzido, durante o confinamento na capital inglesa.

Em horas de conversas com o designer gráfico Luís Nogueira e, à distância, com a cientista social e activista Nina Vigon Manso, pensou como representar os momentos em que congelou e se calou, quando tudo o que queria era agir. Decidiu, primeiro, congelar essa não-expressão. Com a ajuda de Luís, que o filmou no chão do apartamento que partilham, começou por fazer um molde em gesso do seu rosto, inanimado. Ao longo de cinco minutos, e com “os poucos recursos que tinham em casa”, a máscara vai-se desfazendo. Não com um impacto gigante que a destrói sem ponto de retorno. Mas com muitas micro-agressões, que provocam erosões e revelam, aos poucos, a pessoa que se escondia por baixo de um rosto fechado. 

“É uma forma de alertar que, passar despercebidos, pode ser vital, funcional, mas também fatal. Porquê? Ninguém é
invisível. Invisibilizado? Sim”
, escreve o músico formado no conservatório e na Escola Superior de Música de Lisboa, que foi para Londres com uma bolsa para estudar composição para imagem em movimento. Com os trabalhos de produção parados, Gonçalo Abrantes teve tempo para pensar” e lançar o primeiro videoclipe de um futuro EP (esse ainda sem data). O vídeo, conseguido com a ajuda de um projector e das simulações 3D de Rafael Zarza García, a viver em Roterdão, estreia-se esta sexta-feira, 14 de Agosto, também aqui no P3. “Eu sei que não é de todo a melhor altura”, diz. Por outro lado, só espera ainda ir a tempo. 

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