Pressão sobre Lukashenko aumenta nas ruas enquanto UE dá luz verde a sanções

Grandes manifestações estão convocadas para o fim-de-semana. Lukashenko pede aos bielorrussos para ficarem em casa e fala em agressão a partir do estrangeiro. UE prepara sanções a figuras do regime.

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VASILY FEDOSENKO/REUTERs
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Mulher abraça militar durante os protestos em Minsk Reuters/VASILY FEDOSENKO
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Nas ruas pede-se a demissão de Lukashenko EPA/YAUHEN YERCHAK

Svetlana Tikhanouskaia, a candidata da oposição nas eleições em que Aleksander Lukashenko foi declarado vencedor, exilada na Lituânia, convocou grandes manifestações na Bielorrússia neste fim-de-semana, quando há greves em todo país contra o regime. Já Lukashenko fez um discurso a exigir aos bielorrussos que fiquem em casa. “Não saiam às ruas! Vocês estão a ser usados, as nossas crianças estão a ser usadas, como carne para canhão”, afirmou o Presidente, alegando que está em curso uma interferência estrangeira no país para o derrubar. 

Enquanto o futuro da Bielorrussia se joga nas ruas, numa reunião extraordinária do Conselho dos Negócios Estrangeiros, os 27 Estados-membros acordaram a elaboração de uma lista de figuras do regime a quem serão impostas sanções. O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, confirmou que, agora, “começa o trabalho para sancionar os responsáveis pela violência e falsificação [do resultado das eleições”. A oficialização das medidas a adoptar deverá ocorrer no final de Agosto, numa reunião formal entre os ministros. 

Enquanto isso, na Bielorrússia, Lukashenko desfiava a teoria da conspiração: “Hoje chegaram pessoas da Polónia, da Holanda da Ucrânia e da Rússia, apoiantes de [Alexei] Navalni [o blogger russo que é hoje a mais importante força da oposição russa]. A agressão contra a Bielorrússia já começou”, atirou.

Enquanto milhares de pessoas marcharam nas ruas de Minsk, com flores e cartazes a exigir a demissão de Lukashenko, com um apoio cada vez maior dos sectores operários, outrora um bastião de apoio ao regime, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE deram o primeiro passo no sentido de retaliar contra o regime bielorrusso.

“Temos de parar com a violência nas ruas das cidades bielorrussas. Peço às autoridades que parem e aceitem dialogar”, afirmou Tikhanouskaia, num vídeo colocado online, apelando ainda aos bielorrussos que continuem a contestar os resultados das eleições do último domingo que, segundo os números oficiais, só lhe deram 10% dos votos.

Nos últimos dois dias, Minsk ensaiou algumas tentativas de apaziguar a violência dos últimos seis dias, libertando 2000 dos mais de 6700 manifestantes detidos desde a noite eleitoral. No entanto, as imagens e os relatos da violência exercida sobre os manifestantes, que a Amnistia Internacional qualificou como uma “campanha de tortura generalizada” e a intransigência de Lukashenko, tem levado cada vez mais pessoas às ruas, enquanto as greves estendem-se a cada vez mais sectores, desde trabalhadores das fábricas a professores, passando por médicos e jornalistas. 

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