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Putin é novamente contestado nas ruas e Navalni foi detido à porta de casa

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas por toda a Rússia numa acção contra a corrupção no Estado organizada pelo principal opositor de Putin, Alexei Navalni. Quase mil manifestantes foram detidos em Moscovo e São Petersburgo.

Alexei Navalny em Março deste ano
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Não é a primeira vez Alexei Navalny é detido, como se vê nesta imagem de Março deste ano Reuters/TATYANA MAKEYEVA/Arquivo
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Enquanto dezenas de milhares de pessoas começavam a sair às ruas em várias cidade por toda a Rússia, o organizador das acções de protesto e a principal figura opositora do Presidente Vladimir Putin, Alexei Navalni, andou apenas alguns metros desde a porta de casa em Moscovo. Preparado para se juntar às manifestações, o activista, blogger e político deparou-se com um carro da polícia de porta aberta para o levar detido. O longo do dia, só na capital e em São Petersburgo o número de manifestantes detidos chegam quase aos mil.

Foi a mulher de Alexei que deu a notícia: “O Alexei foi detido na entrada do nosso bloco de apartamentos”, disse Iuliya Navalni no Twitter, acrescentando que os planos para os protestos não seriam alterados. Noutra publicação, divulgou uma fotografia do momento da detenção do marido com a legenda “Feliz Dia da Rússia”. Na sede do movimento de Alexei, os funcionários queixavam-se de cortes na internet e electricidade quando tentavam transmitir em directo as acções de protesto.

A frase de Iuliya refere-se ao feriado nacional que se celebrou na Rússia nesta segunda-feira, e que marca o aniversário da assinatura de Boris Ieltsin da declaração da soberania russa em relação à antiga União Soviética. Como de resto acontece nos mais importantes feriados, estavam marcados diversos eventos na capital.

As celebrações serviram de mote para mais uma onda de protestos organizados por Navalni. Aquando da marcação das manifestações, os organizadores depararam-se com algo a que não estavam habituados: a aprovação por parte das autoridades. No entanto, no domingo, Navalni afirmou que as empresas através das quais os organizadores pretendiam alugar material de som e de vídeo informaram que foram proibidas de o fazer pelo autarca moscovita. Alegando que o Kremlin queria “humilhar” os manifestantes, o opositor de Putin alterou à última hora o local da marcha para Tverskaya – a principal avenida da cidade que termina no Kremlin.

O gabinete do procurador-geral avisou que o protesto era ilegal e que a polícia seria forçada a “tomar todas as medidas”. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, avisou que estavam a ser preparadas acções legais contra Navalni. A polícia moscovita dizia que as pessoas que marchassem calmamente (ou seja, sem cartazes ou cânticos) seriam deixadas em paz. Aquelas que dessem voz aos protestos seriam detidas.

Ao longo do dia o número de detenções foi aumentando, chegando às várias centenas em Moscovo e São Petersburgo, ao mesmo tempo que surgiam relatos de utilização de gás pimenta contra os manifestantes por parte das autoridades. A OVD-Info, uma organização não-governamental, disse aos órgãos de comunicação social russos independentes que os detidos na cidade moscovita ultrapassam os 400. O ministro do Interior confirmou mais tarde que em São Petersburgo foram detidas 500 pessoas de entre cerca de 3500 manifestantes.

O objectivo de Navalni era igualar ou mesmo ultrapassar os números do mês de Março. No dia 26 desse mês calcula-se que 60 mil pessoas saíram à rua por toda a Rússia numa onda de protestos que tinham como alvo o primeiro-ministro, Dmitry Medvedev. Cerca de mil manifestantes foram detidos, incluindo Alexei. As manifestações foram espoletadas pelas denúncias realizadas por Navalni num vídeo de 49 minutos onde o também advogado demonstra a vida luxuosa do primeiro-ministro em contraste com o seu vencimento. E há já alguns anos que a Rússia não via protestos tão grandes.

Apesar de o seu partido não ter qualquer representante parlamentar, Navalni foi promovido a principal figura da oposição a Putin nos últimos anos. Em 2016, anunciou que se iria candidatar às presidenciais de Março de 2018 para fazer frente ao Presidente. Contudo, o facto de ter sido detido várias vezes e de ter sido condenado duas vezes a penas suspensas por fraude coloca em causa a candidatura, por causa da legislação que impede cidadãos condenados candidatarem-se a Presidente. O objectivo é por isso conseguir reunir uma massa de apoio popular suficientemente forte para não deixar outra alternativa ao Kremlin senão inscrever o nome de Navalni nos boletins de voto.

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