Ramiro Sequeira à frente da TAP. Providência para impedir injecção de capital foi rejeitada

Actual “chief operating officer” chegou à transportadora aérea em 2018 e vai assumir os comandos do grupo de forma interina, até à selecção do novo presidente executivo. Tribunal rejeitou providência cautelar interposta pelo presidente da Associação Comercial do Porto.

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O actual “chief operating officer” (COO) da TAP, Ramiro Sequeira, vai substituir interinamente Antonoaldo Neves na liderança da transportadora aérea. A informação, avançada pelo Eco, foi confirmada pelo PÚBLICO. Antes de chegar à TAP, em 2018, já com os accionistas privados no grupo, o gestor esteve ligado ao grupo IAG, que reúne a British Airways e a Iberia, para o qual entrou por via da espanhola Vuelling.

Reportando directamente ao presidente executivo, Ramiro Sequeira afirmou, numa entrevista a uma publicação da TAP quando chegou ao grupo, que vê a transportadora como “uma referência na aviação mundial”. “Contudo”, dizia, “hoje em dia a evolução é constante e a concorrência cada vez mais e mais preparada”.

Com a retirada de Antonoaldo Neves – processo que demorou mais do que o esperado pelo Governo pela falta de sucesso em encontrar um sucessor para o gestor que David Neeleman levou da Azul para a TAP em 2017–, e enquanto não chega o novo presidente executivo, cujo processo de selecção ainda irá demorar, caberá agora a Ramiro Sequeira ajudar a elaborar o plano de restruturação que terá de ser apresentado a Bruxelas no máximo em seis meses. O plano, na esfera do conselho de administração (presidido por Miguel Frasquilho), implicará necessariamente uma redução da dimensão do grupo, nomeadamente em termos de rotas e voos e de pessoal, e terá também o apoio de uma consultora de recursos humanos (que deverá ser escolhida ainda em Agosto).

Para já, ainda não há data para o início das novas funções de Ramiro Sequeira, mas é possível que tal aconteça na próxima semana. De saída da comissão executiva deverá estar também Raffael Quintas, o actual responsável pelo pelouro financeiro da TAP, e que veio também da Azul de David Neeleman. Já David Pedrosa, filho de Humberto Pedrosa, deverá manter-se como administrador executivo, uma vez que o empresário se mantém como accionista da transportadora aérea.

Novo apoio e mais rotas

Em curso está também a passagem dos 22,5% do capital por David Neeleman para as mãos do Estado, e o fim do consórcio Atlantic Gateway – Humberto Pedrosa passa a assegurar de forma directa os seus 22,5% do capital (outros 5% estão nas mãos de trabalhadores).

A TAP, que já recebeu uma fatia de 250 milhões de euros do Estado (de um total previsto de 946 milhões mas que pode chegar aos 1200 milhões), beneficiou de Abril a Julho do apoio do layoff simplificado. Com isso, manteve quase todos os seus trabalhadores em casa, e aliviou os encargos de tesouraria. Agora, em Agosto, já teve de optar pela nova modalidade, o apoio extraordinário à retoma progressiva, que não permite a suspensão do trabalho mas sim uma redução entre os 20% e os 70%.

Para Agosto já estava também previsto um incremento da operação, com 500 voos semanais de ida e volta (eram perto de 3000 antes da pandemia) em 66 rotas.

Pelo meio, e no meio de muita polémica e reclamações, o Porto já tem mais algumas rotas face ao que estava previsto inicialmente. Assim, a TAP vai retomar Porto-Milão, Porto-Zurique e Porto-Rio de Janeiro, além das ligações a Londres, Newark e do reforço dos voos para Paris e Luxemburgo (além de Lisboa, Funchal e Ponta Delgada). Já em Setembro, TAP prevê realizar cerca de 700 voos por semana, ligados a 76 rotas.

Tribunal rejeita providência cautelar do Porto

Entretanto, a TAP comunicou esta quinta-feira ao final do dia que a providência cautelar interposta por Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, foi “indeferida por decisão do Supremo Tribunal Administrativo”. “Em síntese”, diz a empresa, “entendeu o tribunal que não se afigurava provável a procedência de um pedido de condenação à não prática do acto de concessão ou de utilização do empréstimo à TAP ou, caso o mesmo viesse a ser praticado, a procedência da sua impugnação”.

O presidente da ACP pode ainda interpor recurso da decisão do tribunal. Quando avançou com esta iniciativa, em Junho, o objectivo de Nuno Botelho era bloquear o empréstimo previsto pelo Governo à companhia aérea, alegando razões como “o desrespeito pelo princípio do equilíbrio territorial” e a marginalização do Porto face a Lisboa.

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