Covid-19: as infecções crescentes estão a dificultar a tímida recuperação do turismo

Países tentam controlar surtos em locais turísticos. Há cada vez mais restrições, como quarentenas e testes obrigatórios para quem regressa de férias estão a alargar-se. E as vantagens económicas tardam.

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Na Grécia, a reabertura do país ao turismo não trouxe os ganhos esperados Reuters/DIMITRIS RAPAKOUSIS

A reabertura de vários locais ao turismo está a contribuir para mais casos de infecção, e nem sempre esta abertura traz o rendimento esperado. Vários países esforçam-se por controlar surtos não só em locais turísticos, como limitar os efeitos do regresso de pessoas infectadas com quarentenas, ou testes feitos a quem volta de férias.

O Reino Unido está impor quarentenas a quem regressar de alguns países que considera de risco, incluindo Portugal e, desde domingo, Espanha. A abordagem de escolha de países inteiros e não de regiões é muito criticada porque vários locais têm situações epidemiológicas melhores do que o Reino Unido. 

Muitos países europeus têm medidas para zonas e não para países inteiros: a Bélgica, por exemplo, juntou mais zonas do Reino Unido, Polónia e Áustria ao “nível laranja”, o que implica a realização de um teste à chegada ou quarentena.

De Espanha, o director do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias, Fernando Simón, disse, a propósito da quarentena imposta por Londres (e Bruxelas) a quem regressar de Espanha: “De um ponto de vista de saúde, beneficia-nos que não venham. Baixa o nosso risco”, declarou. Responsáveis do sector do turismo não demoraram a pedir a sua demissão. 

O agravar da situação epidemiológica levou a mais medidas no país, por exemplo em Madrid, que esta terça-feira adoptou a obrigatoriedade do uso de máscaras em todos os espaços públicos, incluindo ao ar livre (o que já era regra no restante território, a única excepção são as Canárias).

A escolha entre manter uma melhor situação sanitária e abrir mais o país ao turismo não tem uma resposta simples, como se vê no caso grego. O país tem tido uma situação epidemiológica muito favorável, com poucos casos e pouca letalidade, apresentando-se assim como destino seguro. 

“Sabíamos que com a abertura das fronteiras teríamos um aumento parcial de casos”, reconheceu o ministro da Saúde, Vassilis Kikilias, citado pelo jornal online Politico. “Mas a economia e o turismo têm de sobreviver.”

Muitas das novas infecções têm sido detectadas em turistas, quer entre os que fazem um teste à chegada, quer entre os que manifestam sintomas já durante as férias. 

O problema é que esta desvantagem que todos sabiam que iria existir em termos de infecções não está a ser compensada pela esperada vantagem em termos económicos. Savvas Pagonakis, que tem um hotel em Rhodes, contou ao Politico que alguns hotéis ainda começaram por ter cerca de 30% de reservas, mas que esse número caiu para metade. Os voos também já diminuíram. A indústria, diz o site Macropolis, avisa para um “Verão perdido”.

Mas como diz Pagonakis, a escolha é “entre o vírus e a fome”. Atenas anunciou que vai reabrir o país a cruzeiros: já a partir de sábado, segundo disse esta terça-feira o ministro do Turismo, Harry Theoharis. Porém, representantes do sector vieram explicar que será difícil ter tudo pronto para cumprir as regras europeias tão cedo e que esperam que leve ainda um mês para que tudo esteja a funcionar a 100%.

O turismo global está a ser duramente afectado pela pandemia — só entre Janeiro e Maio, esta indústria perdeu 320 mil milhões de dólares em lucro, segundo a Organização Mundial de Turismo (UNWTO), ou seja, uma perda “três vezes maior do que a da crise financeira global em 2009”. A época alta seria a esperança de salvar parcialmente o sector, mas as infecções crescentes estão a dificultar este tímido início de recuperação.

Na Alemanha, o ministro da Saúde, Jens Spahn, anunciou que vai ser obrigatório para todos os que cheguem de locais considerados de risco fazer um teste à chegada, uma medida que irá entrar em vigor na próxima semana. O país está preocupado com o aumento de casos de infecção e o presidente do Instituto Robert Koch, Lothar Wieler, deu uma conferência de imprensa mostrando-se “muito preocupado” com o aumento de casos, dizendo que os alemães estão a ficar “negligentes” no cumprimento das regras de distanciamento físico, higiene e uso de máscaras.

Notícias de países com situações favoráveis quanto à pandemia causam preocupação: na Áustria, a localidade turística de St. Wolfgang está no centro de um surto com 62 casos positivos — foram feitos 1183 testes e espera-se ainda o resultado de 38.

E fora da Europa, o Vietname, um caso visto como exemplar na gestão do coronavírus com zero mortes por covid-19 (e apenas 400 casos de infecção) levava a cabo uma operação de retirada de 80 mil turistas (na grande maioria nacionais) de Da Nang, um destino popular de férias que o país promoveu para o mercado interno. Os 15 casos de infecção em Da Nang são os primeiros a ser detectados no país desde Abril.

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