Com números na mão, Bernardino Soares parte confiante para reunião de hoje sobre eventual fim da calamidade

“Segundo dados da semana passada, a tendência de descida continua [em Loures]. Numa das freguesias, temos metade dos casos activos e, na outra, menos de metade. As freguesias tiveram uma evolução muito positiva”, diz o autarca.

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Para o autarca de Loures, o levantamento do estado de calamidade não significa "o abrandamento do trabalho no terreno" Daniel Rocha

O presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, mantém-se convicto de que há condições para que, nesta semana, se levante o estado de calamidade nas duas freguesias afectadas pela medida no concelho a que preside.

É com números na mão, que considera mostrarem uma “evolução positiva” da pandemia em Loures, que parte confiante para o encontro que esta tarde vai juntar vários protagonistas políticos para discutir a estratégia de prevenção e controlo na Área Metropolitana de Lisboa (AML). A reunião é apenas consultiva, a haver decisão, sobre o eventual levantamento do estado de calamidade, será tomada em Conselho de Ministros.

“Em relação às freguesias de Loures, já disse que, se as coisas se mantiverem com forte quebra de casos activos, como nas últimas semanas, e também descida nos casos em que há focos, que deve ser levantado o estado de calamidade”, começa por dizer o autarca.

E depois desfia alguns dos números que quase já sabe de cor: “A diferença entre estes cinco concelhos e o resto da AML é menor hoje [na análise epidemiológica]. Na última semana houve 15 casos novos por dia, em média, em todo o concelho de Loures e o número de casos activos era de 320. Destes, 30 são de um surto controlado numa instituição. No início de Julho tínhamos mais de 500 casos activos, a diferença é significativa. Há um mês tínhamos 530”, nota.

Os números que Bernardino Soares cita são trabalhados pelo município, a partir de dados fornecidos pela Autoridade de Saúde local: “Segundo dados da semana passada, a tendência de descida continua. Temos hoje menos de 300 casos activos em todo o concelho e, quanto às freguesias, numa temos metade dos casos activos e, na outra, menos de metade. As freguesias tiveram uma evolução muito positiva. Mas é preciso acompanhar a situação, um levantamento do estado de calamidade não pode significar o abrandamento do trabalho no terreno”, ressalva.

Para o autarca de Loures não parece, por isso, haver razão para as duas freguesias de Loures (União de Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação e União de Freguesias de Sacavém e Prior Velho) “estarem neste momento desalinhadas do resto da área metropolitana”, que está em estado de contingência.

A 17 de Julho, segundo dados a que o PÚBLICO teve acesso e que foram apresentados numa reunião entre as forças políticas representadas na autarquia de Lisboa e o coordenador do gabinete de intervenção para a supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, Rui Portugal, verificava-se até 12 de Julho uma tendência decrescente no número de novos casos por semana nos concelhos da Amadora, Odivelas, Loures e Sintra, enquanto na capital se registava uma estagnação.

Ao todo, são as 19 as freguesias da Grande Lisboa que estão em estado de calamidade, nos concelhos de Lisboa, Sintra, Amadora, Loures e Odivelas.

Como a medida é revista quinzenalmente, o tema deverá ser abordado na reunião marcada para esta tarde na residência oficial do primeiro-ministro. No encontro, para se discutir a estratégia de prevenção e controlo na AML relativa à pandemia, participarão os ministros da Administração Interna, Eduardo Cabrita, da Saúde, Marta Temido, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares e Coordenador da Região de Lisboa e Vale do Tejo, Duarte Cordeiro, e o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes.

A reunião conta ainda com as presenças dos presidentes das câmaras municipais de Sintra, Basílio Horta, Amadora, Carla Tavares, Loures, Bernardino Soares, e Odivelas, Hugo Martins, e do coordenador do gabinete de intervenção para a supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, Rui Portugal.