Mais um opositor de Lukashenko obrigado a levar os filhos para o estrangeiro

Valeri Tsepkalo, que foi embaixador da Bielorrúsia nos Estados Unidos, deixou o país com os dois menores depois de receber informações de que lhe iam ser retirados. Svetlana Tikhanouskaia já tinha feito mesmo, pela mesma razão.

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Manifestantes em apoio a Svetlana Tikhanouskaia, Veronika Tsepkalo e Maria Kolesnikova Reuters/Vasily Fedosenko

Um candidato da oposição que tentou enfrentar Alexander Lukashenko nas eleições presidenciais de Agosto na Bielorrússia saiu do país com os seus dois filhos, por recear que fossem raptados, disseram nesta sexta-feira responsáveis pela sua campanha.

Valeri Tsepkalo, que foi embaixador da Bielorrúsia nos Estados Unidos, e depois fundou uma empresa tecnológica, está preocupado que as autoridades já tenham começado os procedimentos para lhe retirar os direitos parentais.

Lukashenko já prendeu o seu principal rival nas eleições e deteve centenas de manifestantes, reprimindo a contestação e a oposição à sua presença de 26 anos no poder.

Fontes da campanha de Tsepkalo disseram que oficiais de acusação foram à escola dos dois filhos do candidato pedir depoimentos por escrito a dizer que a família não tomava devidamente conta dos rapazes.

“Fixámos sem alternativa”, disse num comício a mulher de Tsepkalo, Veronika, que ficou na Bielorrúsia a fazer campanha contra Lukashenko.

“Pessoas preocupadas ligaram-me a dizer: ‘Não queríamos assinar estes papéis, mas fomos forçados, eles recolheram coisas más sobre vocês e o próximo passo é retirar-vos os direitos parentais, dizer que és má mãe, que não tomam conta das crianças”.

Um porta-voz da procuradoria recusou comentar. O campo de Tsepkalo não revelou a idade dos filhos do candidato.

A mudança de Tsepkalo para o estrangeiro surge dias depois de outra candidata da oposição, Svetlana Tikhanouskaia, ter enviado os filhos para um destino desconhecido na União Europeia. Recebeu um aviso anónimo a dizer que lhe iram retirar os filhos.

Veronika juntou-se a Tikhanouskaia e a outra mulher que representa outro candidato - Maria Kolesnikova, que representa ​Viktor Babariko -, agora na prisão, para fazerem campanha contra Lukashenko.

Tsepkalo foi impedido de se candidatar depois de a comissão eleitoral ter anulado parte das assinaturas que recolheu e que precisava para registar a candidatura.

Tikhanouskaya lançou a sua campanha depois de o marido, um popular bloguer que pretendia candidatar-se, ter sido preso, em Maio.

 Manifestações a favor de candidatos da oposição são o maior desafio que Lukashenko enfrenta este ano, a par do descontentamento com a forma como geriu (desvalorizando) a pandemia da covid-19, com o estado da economia e com o desrespeito pelos direitos humanos.

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