Fórmula 1 vai regressar a Portugal. No Algarve e em Outubro

A decisão será anunciada na sexta-feira com a presença, entre outros, de elementos do Governo e responsáveis autárquicos algarvios.

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A Fórmula 1 vai regressar a Portugal Reuters/POOL

A Fórmula 1 (F1) vai regressar a Portugal. Segundo o que o PÚBLICO conseguiu confirmar, o Autódromo Internacional do Algarve (AIA) vai acolher um dos Grandes Prémios (GP) da temporada deste ano do Campeonato do Mundo. O anúncio será feito nesta sexta-feira, com pompa e circunstância, em Portimão.

A realização de um GP de F1 em solo português é a concretização de um desejo antigo, desde que, há 24 anos, a categoria rainha do automobilismo deixou os circuitos nacionais - a última corrida foi disputada no Autódromo do Estoril, a 22 de Setembro de 1996, com o triunfo a pertencer ao canadiano Jacques Villeneuve (Williams).

Numa temporada atípica, que se iniciou mais tarde do que o inicialmente agendado devido à pandemia de covid-19 e que está a decorrer desde o dia 3 de Julho, com a realização do GP da Áustria, sem público nas bancadas, Portugal deverá escutar os motores dos bólides da F1 no dia 23 de Outubro, naquela que será a 26.ª edição de um GP de Portugal de F1.

O AIA foi a pista eleita para este regresso da F1 - bem como corridas de Fórmula 2, Fórmula 3 e Porsche Supercup -, mas o circuito terá que ser alvo de obras, apesar de ser uma pista relativamente jovem (inaugurada em 2008). Segundo o que o PÚBLICO apurou, os 4,692kms de extensão do autódromo terão que receber um novo tapete. Isto para além de outras intervenções relacionadas com aspectos de segurança. Tudo isso irá constar no contrato que deverá ser rubricado nesta sexta-feira, em Portimão, entre a Liberty e implicará algum investimento por parte do Governo português - acima dos três milhões de euros.

O circuito de Portimão, será a quarta pista nacional a receber a Fórmula 1. A primeira foi o circuito da Boavista (1958, 1960), seguindo-se o Circuito do Monsanto (1959) e, por fim, o Circuito do Estoril, (1984-1996).

"Bazuca” turística para o Algarve?

A célebre “bazuca” financeira da União Europeia pode, no contexto da F1, ser metaforizada como uma “bazuca” automobilística para o turismo da região do Algarve.

Apesar de, para já, não haver previsão de presença de público nas bancadas, trazer o maior evento automobilístico mundial significa, no mínimo, alojar no Algarve o vasto staff de cada uma das equipas da Fórmula 1 - e isso será, logo à partida, uma ocupação, pelo menos parcial, de várias unidades hoteleiras. 

Num Verão fustigado pela falta de turistas, a presença do certame de automóveis poderá dar, em Outubro, uma fonte de receita local inesperada. E, mesmo não compensando totalmente, reduzirá o impacto do mau Verão que os hotéis e restaurantes estão a ter em 2020, por culpa da pandemia.

Também em termos de imagem do país a chegada da F1 poderá ter algum impacto, já que, depois da Liga dos Campeões, este é o segundo certame desportivo a escolher passar por Portugal em altura de pandemia.

Solução de recurso

Na perspectiva da organização da F1, a chegada ao Algarve acaba por ser uma solução de recurso. O início da temporada estava marcado para 15 de Março, mas a propagação do contágio por covid-19 em grande parte do Mundo suspendeu o início das corridas. Ficou decidido, depois, que a época se iniciaria a 3 de Julho, mas com um calendário reduzido.

Foram canceladas sete corridas e há ainda quatro à espera de confirmação. Ao todo, o campeonato de 22 provas ficou reduzido a dez, estando a F1 a estudar, agora, a adição de entre cinco a oito provas - uma delas no Algarve, como se anunciará nesta sexta-feira.

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