Ricciardi é ilibado e torna-se testemunha do Ministério Público

José Maria Ricciardi tornou públicas as suas críticas a Ricardo Salgado em 2013. Em Fevereiro de 2014, demitiu-se das funções no grupo.

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Miguel Manso

O ex-presidente do BES Investimento José Maria Ricciardi foi ilibado de quaisquer crimes cometidos no quadro do processo ao universo Espírito Santo (GES e BES) e o Ministério Público arrolou-o como testemunha.

Contactado pelo PÚBLICO, o ex-presidente do BESI e gestor do BES disse: “Afinal, face àquilo que li nas notícias e o que ouvi nas televisões, verifico que as iniciativas que empreendi nos anos de 2013 e 2014, para tentar alterar a governance do GES e do BES, afastando o dr. Ricardo Salgado, tinham toda a razão de ser.”

Recorde-se que José Maria Ricciardi, em 2013, tornou públicas as suas críticas a Ricardo Salgado, assumindo que este devia sair da governação do GES. Uma iniciativa que gerou uma onda de protestos internos na família que, na altura, o acusaram publicamente de “ser inconcebível e de andar sem controlo.” 

“Não podia, na altura, sequer imaginar a extensão e a gravidade das fraudes praticadas e dos prejuízos causados a terceiros, o que não permitiu ser ainda mais incisivo e actuante nas medidas que tomei para evitar o colapso do GES e do BES”, veio também agora dizer Ricciardi, que em Novembro e Dezembro de 2013 declarou em sede de conselho superior do GES desconhecer em absoluto as fraudes cometidas no topo do GES, nomeadamente na ESI, deixando por escrito que recusava quaisquer responsabilidade “decorrentes de desconformidades nas contas da holding, que lhe foram omitidas”.

Depois de uma reunião do conselho superior, em Dezembro de 2013, onde se discutiu a falsificação de contas da ESI, Ricciardi afirmou: “Não é só culpado quem comete o crime, mas quem o esconde e não actua, porque passa a ser cúmplice”. Em Fevereiro de 2014, demitiu-se das funções no grupo.

Também o ex-presidente da Semapa Pedro Queiroz Pereira, accionista do GES, assumiu divergências públicas com Ricardo Salgado, que acusou de lhe ter mentido de forma reiterada ao longo de anos com a finalidade de tomar o controlo do grupo industrial, que era rentável, para tapar os buracos abertos no GES.

Para além de Ricciardi, Queiroz Pereira, que entretanto morreu, chegou a ser arrolado pelo Ministério Público como testemunha.

Na lista de testemunhas arroladas pelo MP, consta ainda Fernando Ulrich, o ex-presidente do BPI, que esteve ao lado de Queiroz Pereira na guerra que este travou contra o GES, e que terminou em Outubro de 2013, com a separação de águas de uma parceria empresarial com oito décadas. 

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