Covid-19: Mais de 2000 novos casos na actualização de dados da DGS são de 11 concelhos da região de Lisboa

A Direcção-Geral da Saúde fez esta terça-feira a actualização da distribuição dos casos por cada concelho no boletim diário, o que não acontecia há dez dias. Os dados não permitem perceber qual a distribuição das novas infecções por datas, mas dos 2954 casos detectados desde 5 de Julho, 2018 (68%) foram registados em 11 concelhos de Lisboa e Vale do Tejo.

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Estado de calamidade vai prolongar-se por mais 15 dias nas 19 freguesias da região de Lisboa Nuno Ferreira Santos

país mantém-se a três velocidades porque os novos casos de covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) tendem a não dar tréguas — dos 233 detectados em todo o país nas últimas 24 horas, 143 (60%) foram diagnosticados nesta região. Apesar disso, há boas notícias a salientar: o número de novos casos em LVT, desta terça-feira, representa o menor aumento diário desde 24 de Maio. Esta região chegou a ter, no início de Maio, 400 dos 480 novos casos detectados em todo o país.

Além disso, nas últimas semanas registou-se uma “tendência decrescente” nos novos casos dos cinco concelhos mais afectados pela pandemia, que passaram de 154 para 121 casos por cada 100 mil habitantes.

Desde o dia 5 de Julho, e até esta terça-feira, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) não incluiu a actualização da distribuição dos casos por cada concelho nos boletins diários. Numa nota inserida nesses relatórios, a autoridade da saúde explicava que está “a realizar a verificação de todos os dados com as autoridades locais e regionais de saúde que ficará concluída durante os próximos dias”.

Assim sendo, este último relatório contabiliza, pela primeira vez em dez dias (entre 5 de Julho e 14 de Julho), a actualização do número de casos por concelho. Olhando à lupa para este indicador, é possível perceber que Lisboa é o que regista o maior aumento do número de casos neste espaço temporal (4084, mais 439 desde a última actualização), seguido por Sintra (3219, mais 369), Amadora (1989, mais 209), Loures (2088, mais 178), Odivelas (1349, mais 166), Cascais (1212, mais 151), Vila Franca de Xira (122 casos), Oeiras (969, mais 117 casos), Almada (714, mais 90 casos), Seixal (732, mais 89 casos) e Mafra (341, mais 88). Feitas as contas, dos 2954 casos detectados em todo o país entre 5 de Julho e esta terça-feira, 2018 (68%) foram registados nestes 11 concelhos da região de Lisboa e Vale do Tejo.

O PÚBLICO pediu à DGS os dados das novas infecções registadas em cada concelho desta segunda para terça-feira. A actualização agora feita não permite saber em que dia foram registados os novos casos, uma vez que os valores apresentados no mais recente boletim são acumulados e representam dados dos últimos dez dias. Em resposta, fonte da autoridade da saúde diz que a DGS não possui os dados tratados dessa forma. “O relatório de hoje inclui a actualização da imputação dos dados aos concelhos. A contagem nunca parou, mas os dados não foram trabalhados para dar a actualização diária”, lê-se na resposta enviada ao PÚBLICO.

Proibidos ajuntamentos

Esta segunda-feira, durante uma conferência de imprensa, Mariana Vieira da Silva, ministra de Estado e da Presidência,​ disse que as medidas já aplicadas às 19 freguesias mais afectadas da Grande Lisboa para conter a propagação do vírus vão manter-se. “Não estamos em condições de ficar descansados em relação a esta situação. Ela ainda carece de um forte acompanhamento à semelhança do que foi feito nos últimos 14 dias”, notou, e por isso, nesses locais continuam a estar proibidos os ajuntamentos e mantém-se o dever cívico de recolhimento.

Horas antes, a directora-geral da Saúde tinha sido questionada na conferência de imprensa diária da covid-19 sobre o mesmo tema. Acerca das 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa (AML) que continuam em situação de calamidade, Graça Freitas disse que a incidência de infecções, um dos indicadores que serve para medir a evolução da doença, é cerca de 120 casos por 100 mil habitantes. “Este número é um bocadinho mais elevado nas freguesias mais atingidas pela covid-19 e varia à volta de 125, 140, 145, 150 novos casos por 100 mil habitantes”, disse.

A responsável afirmou que apesar de este valor apresentar uma tendência decrescente, ainda é cedo para tirar conclusões. “Esse número tem vindo, paulatinamente e não de forma muito acentuada, a apresentar uma tendência decrescente, ainda sobre observação, porque é precoce para retirarmos conclusões”, avançou.

Noutros pontos do país também há locais que, nas últimas semanas, registaram um número elevado de novos casos. Os dados disponibilizados pela DGS mostram alguns focos de contágio fora da Grande Lisboa. Um deles é Reguengos de Monsaraz, onde se registou um surto num lar e onde morreram já 16 pessoas devido à doença. Segundo o último boletim da autarquia há, no município, 126 casos activos de infecção de um total de 170 casos positivos. Os números desta terça-feira da DGS dizem, por outro lado, que Reguengos de Monsaraz tem 155 casos diagnosticados e não 170.

A Norte, em Trás-os-Montes, o mapa mostra o concelho de Miranda do Douro, com 32 casos activos, de acordo com os últimos dados da Unidade Local de Saúde do Nordeste. Os dados da DGS mostram que, no total, foram diagnosticados 44 nesta cidade.

No Centro surge o concelho de Figueiró dos Vinhos, que, de acordo com a Comissão Distrital de Operações de Socorro, conta com 22 novos casos nesta terça-feira. Neste concelho já morreu uma pessoa devido à doença e é um dos únicos do distrito de Leiria onde ainda se registam novos casos. De acordo com a DGS o total de casos desde concelho é de 24.

Portugal tem, esta terça-feira, 47.051 casos de infecção confirmados e 1668 mortes. Há ainda a registar 31.550 casos recuperados e 13.833 infecções activas.