SATA pediu 163 milhões de auxílio ao Estado

Companhia aérea detida a 100% pela Região Autónoma dos Açores precisa do valor até ao final do ano para pagar dívidas a fornecedores e à banca

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Rui Soares (colaborador)

A SATA solicitou um auxílio ao Estado de 163 milhões de euros para “prover as necessidades de liquidez” até ao final deste ano, porque as medidas para “debelar os impactos da pandemia são insuficientes”, anunciou esta terça-feira a empresa.

“As medidas implementadas no grupo SATA para debelar os impactos da pandemia são, contudo, insuficientes para colmatar as necessidades de tesouraria que o grupo enfrenta, sendo necessária uma intervenção pública por parte do Governo da República. Nesse contexto, foi solicitada a concessão de um apoio no montante de cerca de  163 milhões de euros, destinado a prover as necessidades de liquidez até ao final do corrente ano de 2020. Este apoio é a garantia para que o grupo SATA possa obter financiamento bancário”, lê-se numa nota enviada às redacções.

De acordo com a companhia aérea açoriana, as “necessidades” que foram “identificadas e estimadas” pela empresa “concentram-se em três áreas”, nomeadamente “deficit de exploração resultante da queda abrupta da procura, pagamento de dívida vencida a fornecedores e amortização das linhas de financiamento bancário anteriormente contratadas e já em situação pós-moratória”.

A companhia aérea pública frisa, no entanto, que o valor “pode ser reavaliado em função da evolução do surto de covid-19” e de “eventuais exigências ao Plano de Desenvolvimento”, e frisou que “este processo permitirá ultrapassar esta fase difícil e implementar, de seguida, as iniciativas para desenvolver todo o potencial do Grupo SATA”.

Na mesma nota, o conselho de administração adianta que “remeteu uma comunicação ao Governo Regional”, accionista único da empresa em representação da Região Autónoma dos Açores, a “dar conta, na forma do Plano de Desenvolvimento 2020-25, do potencial do grupo SATA”.

O novo conselho de administração da transportadora açoriana, que tomou posse em Janeiro, comprometeu-se a apresentar um plano estratégico e de negócios até ao final do primeiro trimestre do ano, mas a pandemia da covid-19 obrigou a uma reavaliação do documento.

“Este processo foi iniciado em 2020 pelo actual conselho de administração, com o objectivo de definir linhas de actuação operacionais, por forma a potenciar receita e a optimizar custos”, salienta a companhia aérea, dizendo que a pandemia e “as consequentes medidas restritivas impostas ao sector da aviação com o intuito de conter a proliferação” do novo coronavírus “determinaram uma suspensão generalizada das actividades de aviação, condicionando o seu processo de transformação”.

A SATA vinca que “o contexto provocado pela pandemia teve um impacto muito significativo” e, devido à “paragem quase total da actividade, foram implementadas todas as medidas possíveis ao dispor da gestão, num cenário em que a preservação da empregabilidade era fundamental”.

“Entretanto, dada a situação financeira difícil em que grupo empresarial se encontra (fortemente agravada pelo impacto negativo da pandemia de covid-19) e para permitir a sua operacionalização, são necessárias medidas públicas de apoio no prazo imediato, em linha com a generalidade das companhias aéreas na Europa”, sublinha ainda a SATA.

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