Covid-19: mais quatro mortos e 266 casos. Número de internados é o maior desde 7 de Maio

Contam-se mais 139 pessoas recuperadas, num total de 27.205 curados desde o início da pandemia em Portugal. Lisboa e Vale do Tejo continua a somar o maior número de novos casos — 85% do total.

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Hospital de Santa Maria, em Lisboa Rafael Marchante/Reuters

Portugal regista, nesta segunda-feira, quatro mortes pela covid-19 do que no domingo, o que equivale a um aumento de 0,3%, num total de 1568 assinaladas desde Março. Há registo de 489 internados (mais 31 do que no domingo, ou 6,8% de aumento), dos quais 71 em unidades de cuidados intensivos (menos quatro). É o maior número diário de internamentos em enfermaria geral desde 7 de Maio, quando se registaram 36 internamentos.

Há, ainda, mais 266 casos de infecção pelo SARS-CoV-2 (o vírus que provoca a covid-19), um aumento de 0,6%, fazendo subir o número total de casos confirmados para 41.912. Dos 266 casos verificados esta segunda-feira, 225 foram identificados na região de Lisboa e Vale do Tejo, o equivalente a 85% do total de novos casos. No Norte surgiram 25 novos casos, seis no Centro, seis no Alentejo, três no Algarve, e um novo caso nos Açores (o primeiro em 23 dias).

Contam-se mais 139 pessoas recuperadas, num total de 27.205 desde o início da pandemia em Portugal. Há 13.139 casos activos (depois de subtraídos ao total de casos os números de pessoas curadas e óbitos).

Três das quatro mortes registadas nas últimas 24 horas aconteceram em Lisboa e Vale do Tejo; uma, no Norte. O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, ​indicou esta segunda-feira que a taxa de letalidade global da covid-19 em Portugal é de 3,7%. Já a taxa de letalidade acima dos 70 anos corresponde a 16,3%.

Notificar, identifica, isolar: o combate na Grande Lisboa

O líder do gabinete regional de intervenção em Lisboa e Vale to Tejo, Rui Portugal, indicou esta segunda-feira, na conferência de imprensa da Direcção-Geral da Saúde, que o seu gabinete é um “acelerador” no combate à covid-19 nesta região e que uma das áreas que está a merecer mais atenção é a “capacitação” das unidades de saúde, especialmente em alturas de pico. 

Rui Portugal explicou as acções que estão a ser tomadas na região de Lisboa e Vale do Tejo:

  • Notificar rapidamente após o diagnóstico;
  • Identificar os contactos próximos rapidamente;
  • Determinar o isolamento dos casos e contactos.

“Esta semana reforça-se um conjunto de equipas que vão para o terreno”, acrescentou o médico. Estão três equipas em Loures, Sintra e na cidade de Lisboa, duas na Amadora e uma em Odivelas. Estas equipas “estão organizadas em termos de unidades de cuidados na comunidade, protecção civil, segurança social e um apoio nas forças de segurança caso seja necessário, para que o isolamento seja efectuado”.

O combate à pandemia em Lisboa tem uma série de especificidades, indicou Rui Portugal. Desde logo as “mais de cem nacionalidades” que vivem nos concelhos mais afectados: “São bem-vindos, mas põe os seus desafios e o gabinete está a criar uma resposta [nesse sentido].”

"Não há sobrecarga” dos hospitais de Lisboa

O secretário de Estado da Saúde disse que a situação de Lisboa e Vale do Tejo “continua a ser a que inspira mais atenção por parte das autoridades de saúde”. Desde 13 de Maio que esta é a região que mais testa em Portugal. 

António Lacerda Sales afirmou que as unidades de cuidados intensivos nos hospitais da região têm uma ocupação de 66% e no resto do país 65%. “Destes, apenas 20% são doentes covid. Não há sobrecarga e existe capacidade para continuar a dar resposta às necessidades [da população]”, assinalou. 

O secretário de Estado da Saúde anunciou ainda um reforço dos serviços de saúde pública das unidades de saúde dos concelhos mais afectados em Lisboa. Na semana passada foram anunciados vinte médicos e, esta segunda-feira, António Lacerda Sales, referiu que “está em curso a entrada de cerca de 80 médicos internos provenientes de vários hospitais”. 

Média de ocupação dos transportes públicos em Lisboa e Vale do Tejo está entre 40 e 45%

Lacerda Sales afirmou ainda que, “em média”, os transportes públicos de Lisboa e Vale do Tejo, "têm uma taxa de ocupação entre os 40 e os 45%”, mas admitiu que “algumas viagens têm sobrecarga”, o que preocupa as autoridades de saúde.

“Estamos a estudar soluções acelerando alguma recuperação de material circulante e outro tipo de soluções. Está a haver uma reunião no respectivo ministério relativamente a esta matéria. Às vezes, pensamos que a única medida é mais transportes, mas não: também é importante perceber quais as medidas de segurança que têm sido tomadas”, disse.

Segundo António Lacerda Sales, há, de momento, cerca de 700 profissionais a trabalhar na limpeza destes serviços da região.

Público na “Champions” em Lisboa? “Nesta fase, obviamente que não”

António Lacerda Sales afirmou, esta segunda-feira, que a possibilidade de haver público nas bancadas na fase final da Liga dos Campeões, que decorre em Lisboa, depende da evolução da pandemia.

Tendo em conta a situação actual, a resposta do secretário de Estado da Saúde é negativa. “Tomamos medidas de acordo com a evolução da pandemia e portanto não poderei antecipar o futuro. Nesta fase, obviamente que não.”

No domingo registaram-se em Portugal 41.646 casos confirmados, 1564 mortes e 27.066 casos recuperados. Em todo o mundo já há mais de dez milhões de casos positivos, meio milhão de mortes e cinco milhões de recuperados, de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins, que tem estado a compilar os dados em todo o mundo desde o início do ano. 

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