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Entrevista

Paulo Scott: um Brasil “sob o guarda-chuva da raiva”

A raça, a identidade, a herança de um colonialismo que ditou uma língua que une e uma inércia que impede a superação. Marrom e Amarelo é sobre um desacerto, incluindo o da linguagem. O mais recente livro de Paulo Scott é um romance de indagações incómodas que mergulha no trauma e na raiva e traça um retrato duro sobre o Brasil.

Federico e Lourenço partilham a mesma cidade, o mesmo bairro, a mesma família; são irmãos, filhos da mesma mãe e do mesmo pai, mas não têm a mesma cor de pele. Federico é claro, Lourenço, o mais novo, é negro retinto. Essa diferença de pele entre ambos vai determinar experiências de vida distintas e perspectivas diferentes dentro da tumultuosa narrativa da identidade que atravessa a história do Brasil, aqui apresentado como “país-cilada”, país sonâmbulo. São os protagonistas de Marrom e Amarelo, do escritor Paulo Scott, o seu segundo romance a chegar a em Portugal.