TAP prolonga layoff até final de Julho porque operacão continua reduzida

A empresa colocou os seus trabalhadores sob o regime de layoff simplificado a 2 de Abril e ainda receberá uma injecção de capital que pode chegar aos 1,2 mil milhões de euros.

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Maioria da frota da TAP continua parada em terra. A pandemia foi especialmente dura com as companhias aéreas em todo o mundo Reuters/Rafael Marchante

A TAP vai prolongar o layoff até final de Julho, justificando a decisão com o facto de a sua operação continuar reduzida, anunciou esta quinta-feira ao mercado a companhia aérea.

“Considerando a evolução das restrições à mobilidade das pessoas, a cada momento definidas pelas autoridades governamentais dos países onde a TAP opera, bem como dos sinais de procura, a operação da TAP para o mês de Julho permanece reduzida, pelo que se verifica que as condições que motivaram a adesão e a subsequente prorrogação das medidas excepcionais e temporárias não se alteraram significativamente”, lê-se no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Neste contexto, “o Conselho de Administração da TAP entendeu prorrogar a aplicação das medidas de suspensão temporária da prestação de trabalho e de redução do período normal de trabalho por um período suplementar de 30 dias, até 31 de Julho de 2020, de acordo com a prorrogação excepcional fixada nos termos do Decreto-Lei n.º 27-B/2020, de 19 de Junho”, diploma que prorroga o apoio extraordinário à manutenção dos contratos de trabalho em situação de crise empresarial e cria outras medidas de protecção ao emprego, no âmbito do Programa de Estabilização Económica e Social (PEES).

“Estas medidas específicas somam-se às já anunciadas iniciativas de controlo e de redução de custos, incluindo a suspensão ou adiamento de investimentos não críticos, renegociação de contratos e prazos de pagamento, corte de despesas acessórias, suspensão de contratações de novos trabalhadores e de progressões e a implementação de programas de licenças sem vencimento temporárias, as quais continuam a ser implementadas”, acrescenta a transportadora no comunicado.

A TAP recorreu, em 2 de Abril, ao programa de layoff simplificado, disponibilizado pelo Governo como uma das medidas de apoio às empresas que sofrem os efeitos da pandemia de covid-19.

O Governo aprovou em 18 de Junho a prorrogação por um mês do layoff simplificado, até final de Julho, e novos apoios à retoma da actividade que estarão em vigor a partir de Agosto e até final do ano.

O layoff simplificado, que prevê a suspensão do contrato de trabalho ou a redução do horário de trabalho e o pagamento de dois terços da remuneração normal ilíquida, financiada em 70% pela Segurança Social e em 30% pela empresa, terminava inicialmente em Junho, mas foi prorrogado até final de Julho.

Na última terça-feira, o presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, anunciou que a transportadora aérea ia aderir em Julho ao novo modelo de layoff anunciado pelo Governo.

“O Estado já divulgou o novo plano de layoff. A gente vai aderir a esse novo plano”, disse o responsável da transportadora, que falava na comissão parlamentar de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República, em Lisboa.

A companhia está numa situação financeira agravada desde o início da crise provocada pela pandemia de covid-19, com a operação paralisada quase na totalidade, e vai receber uma injecção de capital que pode chegar aos 1,2 mil milhões de euros.

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