É um disco, é um jogo, é uma ilha misteriosa no meio da sala

Death Robot Jungle é um jogo acompanhado de álbum. A música não é, porém, mera banda-sonora. Misto de cumbia psicadélica, electrónica sci-fi e exótica sinistra, sobrevive incólume à ausência de tabuleiro.

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Com esta música o ambiente da sala vulgar transforma-se numa à ilha

Escolha-se um disco, que não pode ser um disco qualquer, mas pode ser o Hawaii, dos The Surfmen, os Exotica de Martin Denny ou a banda sonora de Forbidden Planet, composta em 1956 por Bebe e Louis Barron e a primeira composta exclusivamente de música electrónica. Escolha-se um destes discos, o lounge sereno dos Surfmen, os cenários luxuriantes sugeridos por Martin Denny ou o (agora) retro-futurismo criado pelos Barron e o efeito será o mesmo. Falamos de música que evoca e nos transporta para lugares imaginários, irreais, mesmo quando os títulos apontam localizações específicas — a lagoa das Orquídeas dos Surfmen ou o comboio no Congo de Martin Denny são outra coisa que o indicado, uma efabulação tão fantástica quanto o planeta musicado por Bebe e Louis Barron. As sensações que provocam são diferentes, porque são diferentes os cenários construídos em som, mas é igual essa capacidade de nos encaminhar e de nos guiar pelas paisagens evocadas.

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