Quem é Rifaat-al Assad, condenado em Paris por “branqueamento”?

Foi durante anos o segundo homem mais poderoso da Síria, braço direito do seu irmão Hafez al-Assad.

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Rifaat al-Assad com o irmão, Hafez al-Assad DR

Rifaat al-Assad, 82 anos, tio do Presidente sírio, Bachar al-Assad, foi condenado nesta quarta-feira por um tribunal de Paris a quatro anos de prisão e à confiscação do seu “império imobiliário”, no valor de 80 milhões de euros. Era acusado de ter organizado uma rede de branqueamento de dinheiro desviado dos fundos públicos sírios, entre 1986 e 2016. Está também processado em Espanha por delitos análogos. Mas muita história se pode esconder por trás de um delito económico.

Quem se lembra de Rifaat? Foi durante anos o segundo homem mais poderoso da Síria. Foi o braço direito do seu irmão Hafez al-Assad, Presidente da Síria entre 1971 e a sua morte, em 2000. Depois do golpe de 1971, que colocou os alauítas no poder, Rifaat foi nomeado chefe das tropas de elite da segurança interna, as Brigadas de Defesa.

O conflito interno sírio exprimia a rivalidade entre duas comunidades: os alauítas, de raiz xiita, e os sunitas, largamente maioritários. Mas os alauítas, com 10 ou 12 por cento da população, controlavam desde a ocupação francesa, a maioria das forças armadas e dos serviços de segurança, e impõem a sua hegemonia em 1971. Dominavam também o histórico partido Baas. Fizeram um compromisso económico com a burguesia sunita e com as minorias religiosas, que protegiam

Mas os Assad tinham um inimigo irredutível, a Irmandade Muçulmana, que começou um movimento insurreccional no início dos anos 1980. Houve massacres, de ambas as partes.  Sunitas massacraram dezenas de cadetes de artilharia alauítas em Alepo. Houve tentativas de assassínio de Hafez al-Assad. Sob suas ordens, Riffat terá organizado a execução de 500 prisioneiros sunitas na prisão de Palmira.

Finalmente, em Fevereiro de 1982, estalou uma revolta em Hama e a Fraternidade assumiu o controlo da cidade. É neste conflito que Rifaat se vai celebrizar como o “carniceiro de Hama”. Sob o seu comando, a cidade será bombardeada durante vários dias, com um balanço de 10 mil mortos. Doravante os sunitas vão desparecer da paisagem política e confinar-se à vida empresarial.

Cedo houve notícias de divergências entre os dois irmãos. Rfaat contestaria linha “socialista” e de aproximação à União Soviética de Hafez, tendo sido alcunhado “A Voz da América”. Patente é a rivalidade pessoal. Hafez tencionava passar o poder ao seu filho, Bassel el-Assad (falecido em 1994 num acidente) e Rifaat reclamaria a primazia. Em 1983, o Presidente foi internado num hospital com um problema cardíaco. Hafez nomeou um conselho de seis personalidades, em que incluiu sunitas e excluiu Riffat.

Apoiado por alguns militares alauítas, Rifaat tentou um golpe de estado. Fez avançar tropas sobre Damasco, mas as forças fiéis a Hafez impuseram-se. Rifaat desistiu e escolheu o caminho do exílio. Seguiu para Paris, a convite do Presidente François Mitterrand, que o condecorou com a Legião de Honra.

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